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Açores podem produzir cracas, lapa burra, ouriço, pargo, atum, encharéu, goraz e muitas outras espécies em processo de aquacultura

Açores podem produzir cracas, lapa burra, ouriço, pargo, atum, encharéu, goraz e muitas outras espécies em processo de aquacultura

Cracas, lapas, lapa burra, ouriço, pargo, atum ou encharéu são algumas espécies que podem ter potencial para produção através de sistemas de aquacultura nos Açores. Numa entrevista sobre este assunto, o investigador da Universidade dos Açores, Eduardo Isidro explica que “as espécies mais apetecíveis são aquelas que já existem naturalmente, uma vez que estão bem ambientadas e que, não tendo de ser introduzidas, são menos problemáticas, se bem que não se deva excluir totalmente uma eventual introdução que, a dar-se, teria de implicar a criação de sistemas de monitorização e controle eficientes. Das que já existem naturalmente nos Açores, há que escolher aquelas que apresentam características biológicas favoráveis (crescimento rápido, por exemplo) e bom potencial comercial. Num workshop realizado em 2008 no DOP, sob o título “Desenvolvimento de uma aquicultura sustentável nos Açores”, que reuniu peritos de diversos continentes, elaborou-se uma lista de espécies com potencial aparente: Craca, lapa, lapa burra,ouriço, írio,pargo, atum, encharéu, etc. Contudo, esta lista não é fechada e poderemos acrescentar-lhe ainda várias espécies, como por exemplo o goraz. Algumas, ou muitas destas espécies podem ser consideradas espécies novas e/ou de tecnologia de produção não controlada, o que significa que se terá de se investir previamente na investigação, no conhecimento e desenvolvimento de técnicas e tecnologias apropriadas.
Quanto às mais-valias que a aquacultura traz para a conservação de espécies/recursos vivos, o mesmo explica que “não faltarão, certamente, exemplos sobre o papel relevante da aquicultura na mitigação de danos causados pelo próprio homem. Ela tem estado na base de diversos programas de repovoamento de locais/espécies/populações sobre-exploradas ou em risco de desaparecimento. Por outro lado, sendo uma actividade do mesmo sector de produção que as pescas e de algum modo concorrencial com estas, permite desviar algum esforço da exploração dos recursos naturais selvagens. De salientar que, actualmente, entre peixes, moluscos e crustáceos (i.e. excluindo algas), produzem-se no mundo, em sistemas de aquicultura, cerca de 68 milhões de toneladas anuais. Esta produção começa, pois, a rivalizar com a obtida pela pesca, que se cifra em cerca de 91 milhões de toneladas/ano (FAO 2010)”.

E frisa: “a aquicultura, como actividade, não é independente de outros factores de cariz técnico e socioeconómico, porque assenta numa lógica de mercado que, neste momento, é muito global. Por outro lado, pensando-se que se deve enveredar pelo cultivo de novas espécies, há enigmas e desafios técnico-científicos que é preciso esclarecer e vencer. Há ainda que entender que cada ilha pode levantar questões diferentes e que o desenvolvimento de um novo sector económico de produção, economicamente competitivo, raramente é rápido e exige investimentos que podem ser avultados e arriscados”.

Pescas: libertar todo o potencial da aquacultura europeia.
A aquicultura, um dos sectores alimentares de crescimento mais rápido no mundo, já fornecia ao planeta, segundo comunicado da Comissão Europeia em 2009, cerca de metade do peixe que comemos e ainda tem muito para oferecer. A UE pôs em vigor normas elevadas para manter o crescimento sustentável no centro da abordagem e dos métodos da aquicultura; o nosso sector aquícola é o primeiro do mundo em termos de investigação e desenvolvimento tecnológico. Contudo, este progresso na excelência não se reflectiu na produção – que se estabilizou na UE, enquanto em algumas outras regiões do mundo registou um forte crescimento. Numa comunicação apresentada, a Comissão pretende enfrentar esta situação e dar um novo ímpeto ao crescimento sustentável da aquicultura europeia.
“A aquicultura tem à sua frente um futuro brilhante no capítulo do fornecimento de produtos saudáveis e de grande qualidade aos exigentes consumidores europeus. Contudo, está muito longe de realizar todo o seu potencial. Já é tempo de conquistar o lugar que lhe cabe e de dar a este sector estrategicamente importante a expressão e – literalmente – o espaço de que precisa para se desenvolver”, comentou então Joe Borg, Comissário responsável pelos assuntos marítimos e pescas.
Na sua comunicação, a Comissão examina as causas profundas da estagnação da produção aquícola da UE e estuda vias para melhorar a competitividade, a sustentabilidade e a governação do sector.
Em primeiro lugar, a competitividade pode ser reforçada por um apoio forte e contínuo à investigação e ao desenvolvimento tecnológico, um melhor ordenamento espacial das zonas costeiras e bacias hidrográficas, que facilite ao sector o acesso ao espaço e à água, e a inclusão das suas necessidades específicas na política de mercado da UE para os produtos da pesca. Em segundo lugar, a sua sustentabilidade requer métodos de produção respeitadores do ambiente, normas elevadas de sanidade e bem-estar animal e um alto nível de defesa do consumidor. Em terceiro lugar, mais pode ser feito para melhorar a imagem do sector e os aspectos relativos à governação. O êxito da aquicultura dependerá em grande medida de um ambiente favorável às empresas do sector ao nível nacional e/ou local. Daí a vontade da Comissão de facultar aos Estados-Membros e às autoridades regionais directrizes que ajudem o sector a tirar pleno partido dos seus trunfos por meio de medidas orientadas ao nível local, nacional e da UE.
A Comissão acredita que uma aquicultura forte e revigorada servirá de catalisador do crescimento nos sectores conexos e contribuirá ainda mais para o desenvolvimento das zonas rurais e costeiras. Além disso, os consumidores beneficiarão igualmente, sob a forma de produtos alimentares de grande qualidade, saudáveis e produzidos por métodos ecológicos.

Projectos de investigação de espécies em aquacultura estão em stand by no DOP por falta de apoio financeiro.
O investigador do Departamento de Oceanografia e Pescas, Mirko De Girolamo, 47 anos de idade, de nacionalidade italiana, como disse recentemente ao Correio dos Açores, e que aqui relembramos, que a grande novidade na área da investigação é que com o projecto Cracas foi criada uma estrutura – AQUALAB – que se for ainda mais desenvolvida tem potencialidades para ser o centro de investigação da Região sobre aquicultura e para o acompanhamento e desenvolvimento deste sector no arquipélago… Agora, o que falta é dinheiro para continuarem a investigar, pois os apoios estão escassos e os projectos em stand by
O investigador refere que “infelizmente, não temos verbas para os próximos projectos nem para suportar a permanência de investigadores como eu nem o pessoal que aqui trabalha. Concluímos o nosso último projecto em Janeiro e para já não sabemos se e quando vamos começar outra vez. Mesmo assim estamos muito orgulhosos do trabalho que até aqui foi feito. Contudo, posso dizer que a grande novidade é que com o projecto cracas foi criada uma estrutura – o AQUALAB – que se for ainda mais desenvolvida tem potencialidades para ser o centro de investigação da Região sobra a aquicultura para o acompanhamento e o desenvolvimento deste sector no arquipélago.
No AQUALAB conseguimos os maiores resultados em relação ao cultivo das Cracas pelo qual é também importante dizer que foi dado o maior esforço, quer seja ao nível financeiro quer ao nível de trabalho.
Nesta espécie – craca – conseguimos, nas nossas instalações do AQUALAB, definir: Um protocolo para a indução da emissão de larvas em adultos vivos; Manter adultos em cativeiro agora por mais do que dois anos; Definir uma dieta para o crescimento das larvas; Obter a fixação destes animais em suportes específicos; Desenvolver técnicas de cultivo no mar; e, Desenvolver marcadores moleculares para a conservação e a gestão no âmbito da aquicultura deste recurso. No caso da lapa burra, importa dizer que fizemos as primeiras experiências de alimentação para poder definir as dietas em cativeiro destes animais e também a sua reprodução em cativeiro.
Já que a alimentação é um dos problemas para resolver não só nas cracas mas também na lapa burra concentramos também a nossa atenção na produção não só de micro mas também de macro algas”, revelou.

Foto: Rotas Turísticas

Fonte: Ana Coelho/Nélia Câmara/Correio dos Açores

3 Comentários neste artigo

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    Gaivota

    Apesar de não fazer parte da nossa alimentação das “Gaivotas” não faz parte do nosso cardápio, olhando para esta foto vendo aquelas lapas mansas faz-me crescer agua na boca e o apetite também e se forem acompanhadas com um pão de algas e um vinho do Pico mas dos modernos dos bons. Que mais podemos querer (dinheiro) Vaiam trabalhar.
    Bom apetite

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    pescador

    sr PEREIRA sabe muita coisa….os ACORES andam adriva em assuntos do mar

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    PEREIRA

    MUAAAA…..MUAAAA…..REALMENTE EM ALGUMAS EMBARCAÇÕES NOTA-SE UMA GRANDE QUANTIDADE DE CRACAS…HEHHEHEHE

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