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Paragem biológia na pesca nos Açores seria uma autêntica “bomba atómica”, além de abrir o flanco à quota do goraz

Paragem biológia na pesca nos Açores seria uma autêntica “bomba atómica”, além de abrir o flanco à quota do goraz

Toda a política regional de preservação e captura do goraz, uma das espécies piscícolas mais nobres e mais caras no mercado nacional e internacional, tem na mira o rendimento do pescador e ignora, por completo, o facto de este ser um dos peixes que, apesar de pescado nos Açores ‘com a chaminé à vista’ (muito perto das casas das ilhas), os açorianos não têm rendimento para o adquirir no mercado.
Aliás, o goraz pura e simplesmente não aparece nas peixarias das grandes superfícies comerciais de São Miguel e o peixão, quando aparece, surge a preços proibitivos.
O facto é que há muitos açorianos que colocam esta questão e se mostram indignados por, apesar de o mar em redor das ilhas ter peixe de alta qualidade, os consumidores residentes nas ilhas não têm rendimentos para poderem adquirir um quilo de goraz, cherne ou outras espécies piscícolas nobres que são vendidas nos mercados nacional e espanhol por consumidores tão europeus como os dos Açores.
As próprias palavras do Secretário das Pescas, Fausto Brito e Abreu, não deixam margem para dúvidas. “Eu não estou muito preocupado que um dia me digam: Olhe, qualquer dia, os açorianos e os turistas têm de pagar muito dinheiro pelo goraz. Ou, então, que os açorianos não têm dinheiro para comprar goraz. Que paguem menos pelo peixe-porco, ou outras espécies mais baratas”, salienta o governante.
O jornalista insiste que o que acontece é que os açorianos não têm rendimentos para pescar o goraz que é pescado junto à sua porta. E Fausto Brito e Abreu não desarma: “Não, não fica sem direito a comer goraz. Agora, o pescador é que não tem de subsidiar o hábito do consumidor açoriano ou do turista e nos Açores, comer-se o goraz a baixo preço. Se há um mercado que paga muito dinheiro por um peixe bom, o pescador que trabalha duramente para o produzir, tem direito a receber este dinheiro”, afirma.
Mas mantemos o desafio: Essa sua posição não é pacífica. Os açorianos não têm poder de compra para chegar ao goraz. E o Secretário das Pescas responde: “Eu sei que não é pacífica. Temos aqui uma parte política. Mas, também, há vários peixes deliciosos que se pescam aqui à volta dos Açores: Tainha, peixe-porco, raia, peixe de espada branco, cavala, veja, escamuda. São todos peixes óptimos. Agora, o cherne, o pargo, o goraz, e o imperador são peixes que valem mais dinheiro. Qual era a forma de garantir que os açorianos podiam comer todo o peixe ao mesmo preço? O Governo tinha de estar a subsidiar a alimentação destas pessoas porque ao pescador deve ser pago bom dinheiro. A vida da pesca é muito dura. E, hoje, este produto, que é de elevadíssimo valor, que gera boas exportações para a Região, quando está a ser pago a um preço mais baixo, quem sofre é o pescador que paga para o produzir”.
E Fausto Brito e Abreu conclui: “Para o governo a prioridade é aumentar o rendimento dos pescadores. Não é baixar o preço para o cidadão e o turista comer o peixe mais barato…”

 

Porque os pescadores não vão receber compensação pelo goraz

Uma outra grande questão que divide opiniões e esta até mobiliza os partidos políticos é saber se o Governo dos Açores vai pagar ou não uma compensação aos pescadores de goraz que ficam em terra no período de defeso entre 15 de Janeiro e finais de Fevereiro. Os pescadores perdem rendimento porque não podem pescar goraz que, normalmente, trariam par terra nesta altura. O Governo vai compensar?
Fausto Brito e Abreu tem também uma resposta muito directa para esta questão. “Num ano em que só podemos pescar 507 toneladas de goraz, não se impondo nenhuma restrição – e se for como o ano passado, chegou a 16 Agosto e fechou a pesca por se atingir a quota. E se fosse um dos anos piores de pesca teríamos chegado às 507 toneladas em Outubro. Na lógica, os pescadores deixam de ter rendimento nos últimos dois meses do ano”.
“O que acontece”, prossegue, “é que o preço do goraz, agora, em condições normais, é baixinho, entre 5 e 10 euros por quilo. E, depois de Novembro, ultrapassa os 20 euros por quilo. Ao estar agora a fechar a pesca, além de ajudar a espécie porque isso coincide com a desova do peixe, estou a impedir que seja gasta quota da Região num período em que o peixe está mais baixo no ano. E, portanto, quando me pergunta, qual é a compensação que vai dar por interditar a pesca neste período? É uma compensação proporcional ao preço a que o pescador vai vender o peixe da quota na altura em que ele está mais elevado”.
Ou seja, o pescador não vendendo hoje o goraz a 6 euros, tem uma penalização a muito curto prazo mas, na média do ano, vai ter um rendimento muito superior em comparação com uma situação em que não houvesse período de defeso. “A diferença dos sete euros por quilo para os vinte e tal euros ou quarenta euros por quilo, vezes as toneladas que se pescam num mês e meio é o que estamos a oferecer de rendimento aos pescadores”, acentua, a propósito, o Secretário das Pescas.
Entretanto, a filosofia do FundoPesca vai mudar. “Eu estou convencido que, no novo FundoPesca – que não existe ainda este ano – vamos poder olhar para os meses de Janeiro e Fevereiro e se o volume de pescado entrado na lota baixar muito (e o goraz vale muito e ao estar interditado provoca uma perda na lota), pode-se accionar o fundo pesca que dá um bocadinho de compensação. O novo mecanismo de accionar o Fundo Pesca olha para o valor do pescado descarregado em lota. Quando está abaixo do que é mais ou menos um terço do que é um dia médio, é accionado o FundoPesca. Hoje, com a legislação ainda em vigor, teria de haver zero de descarga para accionar o FundoPesca”.
Assim, o FundoPesca, como está redesenhado e foi já aprovado no Parlamento Regional, dá-se uma resposta parcial para os apertos que os pescadores sofrem nesta altura do ano seja pelo mau tempo, seja por não poderem pescar goraz. Infelizmente, não está em vigor ainda este ano porque o processo legislativo em curso não o permitiu”.
O que é factual é que, este ano, os pescadores de goraz, segundo Fausto Brito e Abreu, não vão receber qualquer compensação pelo período de defeso do goraz e, no próximo ano, com o novo FundoPesca, sempre podem receber alguma compensação nos dias em que o peixe descarregado em lota for inferior a um terço da médio do valor diário descarregado

 

Paragem biológica da pesca nos Açores “é uma bomba atómica”

Uma terceira questão que está na ordem do dia no sector piscatório nos Açores relaciona-se com uma proposta apresentada pela Cooperativa Porto de Abrigo e a Associação das Espécies Demersais dos Açores APEDA, que defendem uma paragem biológica na pesca a todas as espécies de peixe de fundo nos Açores.
Desde logo, explica o Secretário das Pescas, esta paragem biológica tem de se comunicar à Comissão Europeia. Na primeira versão, pede-se a paragem biológica para todas as espécies de peixes demersais, indo buscar dinheiro os fundo comunitários para fazer um pagamento de compensação aos pescadores que param totalmente a pesca durante dois meses por ano.
O Governo dos Açores começou por admitir estudar a proposta à luz do próximo Quadro Comunitário de Apoio em análise e à luz da opinião dos cientistas.
À partida, uma paragem destas no goraz é fácil. Agora, se for para todas as espécies, não acontece o pico na mesma altura, o que constitui o primeiro problema.
Em princípio, uma paragem biológica destas “pode ser boa para a pesca”. Era preciso saber o que a Comissão Europeia paga em termos de fundos comunitários num situação como estas. E o Fundo comunitário só paga até seis meses de compensação no Quadro Comunitário até 2020 a cada armador. Seria dois meses em 2017, dois meses em 2018, dois meses em 2019 e já não pagava mais.
Além disso, prossegue Fausto Brito e Abreu, “teríamos e dizer a Bruxelas que há um problema, por exemplo, com o goraz. A nossa grande luta com Bruxelas tem sido: Não nos cortem muito a quota do goraz. E o pedirmos uma paragem biológica para o goraz, não se coaduna com o estarmos a dizer não nos cortem mais a quota. Os cortes nas quotas foram violentíssimos. Foram na ordem dos 25% para as 507 toneladas. Em Novembro deste ano, o Conselho das Pescas da União Europeia reúne e vai sair a quota de pesca do goraz para os Açores para o biénio 2017/2018. Toda a nossa prioridade é pedir para não nos cortarem mais a quota até ver se este esforço que estamos a fazer equilibra a espécie”.
“Se eu vou a Bruxelas dizer que há um problema biológico com o goraz, o Conselho das Pescas da União Europeia pode-nos cortar a quota”. Logo, é constatável que um pedido de paragem biológica é prejudicial aos Açores no goraz.
Em, em termos gerais, “mesmo que fosse para compensar os pescadores com algum dinheiro, raramente compensa quando há paragens biológicas. No caso da sardinha em Portugal, viu-se que os pescadores não ficaram satisfeitos. Em outros países também tem decorrido mal. Há um limite que se pode pagar. Não se paga o que o pescador quer. Cada um teve descontos em lota, pagou tanto ao fisco e são estes valores que são usados para calcular o que cada um tem direito. E há regras muito restritas”, explica o governante açoriano.
A Cooperativa Porto de Abrigo e a APEDA estão a pedir 20 milhões de euros, que corresponde ao orçamento total da Secretaria das Pescas. Com a União Europeia a cofinanciar esta paragem biológica, só a parte do orçamento regional são 14 milhões de euros.
É por todas estas razões que “nós não concordamos” com a proposta da Porto de Abrigo e da APEDA.
Primeiro e mais do que tudo, abrimos o flanco e pode fragilizar-se a nossa posição negocial para a quota do goraz nos próximos dois anos. Depois, pagar para não pescar não me parecer ser a verdadeira resposta ao problema. Terceiro, esta proposta só nos é feita por duas associações. A maioria das associações de pesca das nove ilhas não concorda, porque entendem que pescando se gera receita mais do que estando parado. Depois, parar todas estas espécies e pôr todos os barcos em terra, seria uma espécie de bomba atómica no resto da fileira da pesca. Nós temos comerciantes de pescado fresco. Vinte por cento das exportações da Região vem da fileira das pescas. Imagine-se o que é agora todos os comerciantes de pesca terem a frota parada. Esta medida teria um impacto gigante em toda a fileira da pesca e na economia da Região. “ Sem prejuízo de uma análise que está a ser feita, posso dizer-lhe que não tenho nenhuma inclinação para aceitar isso. Pelo contrário, vejo grandes problemas nisso a começar pelo risco de nos cortarem mais a quota do goraz…”, conclui Fausto Brito e Abreu

Fonte: Correio dos Açores

16 Comentários neste artigo

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    QUE AGONÍA

    EU SÓ QUERO É RIR O PS DISPARA EM TODAS AS DIREÇOES E NÃO ACERTA UMA .É PORVEITAR OS ULTIMOS DIAS DE REINADO

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    OLHO ABERTO

    SERÁ QUE HOUVE MESMO UM DEFESO TRISTE GOVERNO QUE ACREDITA NO PAI NATAL

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    PEREIRA

    COM ESTE COMENTÁRIO DO SR.(OU SENHORA)JÁ FOSTE(O TRANSBORDO FEITO DE GORAZ…), PENSO QUE A MENINA CARLA RIBEIRO PODE NOVAMENTE RECUPERAR O SEU PRECIOSO TEMPO, PARA TAR CALADA E NÃO FALAR DO QUE NÃO SABE….E SE TIVER TEMPO, EMBARCAR NUMA EMBARCAÇÃO DE PESCA LOCAL DOS AÇORES E PASSAR 3 OU 4 DIAS A PESCAR GORAZ NO MAR DOS AÇORES PARA VER QUE É UM REMÉDIO SANTO PARA OS PROBLEMAS DE COLUNA…ASSIM JÁ FICA COM MAIS UMA ESPERIÊNCIA DE VIDA PARA CONTINUAR A LER FERNADO PESSOA.

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    TÓ ABISMADO

    ui ui de certeza que SENHORA CARLA sabe disso ,mas não culpo os armadores culpo sim o governo de corrupeção. e VIVA AÇORES

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    ja foste

    sra carla ribeiro o historico a que se refere e aquele do transbordo do goraz feito fora da doca da horta quando estava proibido de pescar o referido goraz

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    TÓ ABISMADO

    SENHORA CARLA RIBEIRO sei muito bem o histórico do lajes do pico nem licença de palangre de fundo tinha.mas também sei a CORRUPEÇÃO que há por de trás desses barcos vou levatar a ponta do véu, goraz vendido por peixão ,transbordo de pescado não declarado.culas de óleo metidos há sucapa dentros dos contentores. ate tinha os selos de selar os ditos contentores .os AÇORES são muito pequenos tudo se sabe

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    Carla Ribeiro (Não é pseudónimo)

    Boa tarde.
    Senhores Tó Abismado e Pescadores Preocupado.
    Inicialmente pensei se valeria apena perder o meu precioso tempo em vos dar uma resposta adequada, mas depois cheguei a conclusão que seria uma perca de tempo responder a pseudónimos pois o único pseudónimo que eu conheci foi Fernando Pessoa.
    Por isso convido os senhores em questão a tentarem saber o histórico dos últimos anos destas embarcações “Mestre Bobicha” e “Lajes do Pico”. Cumprs Carla Ribeiro

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    TÓ ABISMADO

    Tamos a falar 2 barcos ,são tratados forma diferentes e só deixam na região 3 por cento do valor do pescado,deve haver luvas e muita politica suja

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    Pescador Preocupado

    O governo e uma empresa que representa os desgraçados..
    quem fatura tem direitos quem nao fatura fica para trás.caro amigo olho aberto tu ou começas apanhar mais peixe para competir com esta gente ou tas lixado

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    OLHO ABERTO

    JÁ há muito tempo digo estes barcos tem proteção do governo não sei porque.

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    Pescador Preocupado

    pois estes devem ter 16.500 kg + o peixe que vão descarregar la na Espanha ou para os contentores que não contam para a cota. tal como disse este pais não chega a lado nenhum e por mim se quiserem fechar a pesca de vez, pois que fechem sempre e melhor que andar aqui atrás de peixe que não existe.já ando no mar há 1.5 meses só a gastar gasóleo.

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    TÓ ABISMADO

    BOBICHA E LAJES DO PICO

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    Pescador Preocupado

    quais 2 barcos que duplicaram a sua cota da para poderes dizer ou e segredo?

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    TÓ ABISMADOChe

    Hoje vi quota a nível açores,fiquei abismado uma rudução a tudos armadores a menos 2 barcos que duplicaram a quota,tou triste é essa politica que o governo quer para os açores.

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    sr olho aberto ai já somos dois pelo andar da carroça parece vai haver mais.

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    olho aberto

    SR.cada fez que fala só se enterra mais,votar no PS nunca mais na vida

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