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Porto de Abrigo diz que não é necessario estabelecer quotas para a pesca do atum nos mares dos Açores

Porto de Abrigo diz que não é necessario estabelecer quotas para a pesca do atum nos mares dos Açores

A Cooperativa Porto de Abrigo apresentou propostas de gestão cautelar ao Conselho Consultivo – Sul da União Europeia, nas reuniões realizadas em Santiago de Compostela.

Uma das propostas pretende-se com a adopção dum modelo de gestão assente no aumento de selectividade das artes, e na protecção da pequena pesca. Nesse sentido a frota que usa artes selectivas e apenas desenvolve esforço de pesca nas águas nacionais, como é o caso da frota açoriana, deve ficar isenta do regime de quota.
Segundo João Castro importa “criar uma maior gestão para que se possa ter uma melhor e maior selectividade nas capturas. Considerando que as nossas embarcações, que são sete ou oito que por aí andam, não só pelo seu tamanho, mas pela arte de pesca que utilizam, são embarcações altamente selectivas e principalmente na questão dos atuns temos que ter nessa área a inexistência de qualquer quota ou que tivéssemos uma quota adaptada aos Açores”.
O presidente da cooperativa dá o exemplo do Atum Rabilho, espécie que passa pelos nossos mares nos meses de Janeiro, Fevereiro e Março. “São peixes, que as nossas embarcações apanham em número reduzido, realidade que não mexe minimamente com os stocks de pesca existentes e para o pescador, um só peixe pode significar um ou dois meses de rendimentos”.
Em relação às outras espécies de atuns, “era importante que não houvesse esse tipo de limitações porque as quantidades que nós capturamos são muito exíguas em relação a outras capturas”.
Mais disse que, “por estarmos ainda fora de todas as plataformas continentais, era importante que fôssemos nós a ter um maior controlo sobre a captura de outras espécies, nomeadamente o Alfonsim e a Abrótea-de-fundo que já tem uma quota europeia, sendo certo que já pedimos um aumento para as 160 toneladas”.
Nas reuniões realizadas em Santiago de Compostela entre os dias 22 e 26 de Outubro, em intervenção fundamentada, a Associação Porto de Abrigo propôs do mesmo modo “uma diminuição do esforço de pesca nos períodos da reprodução e, coincidindo, nas principais espécies demersais a reprodução com os meses de Janeiro a Março, das espécies do goraz e da abrótea. Importa que haja um abrandamento de pesca para que efetivamente esses peixes possam crescer, havendo assim mais peixes e mais stocks”, veiculou.
Na comunicação do representante da Porto de Abrigo ao Conselho, foi exposta a necessidade do financiamento da união diretamente destinada a contemplar a perda de rendimentos dos pescadores como resultado da aplicação dum plano cautelar; com dotação orçamental desagregada não podendo tais verbas ser dirigidas para outros investimentos: garantir a sustentabilidade da pesca é um investimento produtivo central.

 

Pesca lúdico-informal: Questão do registo de capturas bem aceite

Uma outra questão que a Cooperativa Porto de Abrigo tem vindo a insistir “é na obrigação do registo de capturas efectuadas pela pesca lúdico-informal”.
João castro entende que “esse tipo de registo é muito importante para termos a certeza daquilo que se está a extrair dos stocks das pescas”. O tema foi de resto ”muito bem aceite pela representante do Conselho Europeu das Pescas, que estava presente na reunião”, acrescentou.
A regra será para todos sem excepção. “É só para declarar, não é para pagar seja o que for. Se pescou dois quilos ou se pescou 250 gramas, é isso que vai declarar. Queremos no fundo saber, o que é que efectivamente essa pesca representa em termos de esforço de pesca”.

 

Pouca quantidade de chicharro no mar faz disparar o preço

Recorde-se que a Secretária Regional do Mar, Ciência e Tecnologia decidiu prolongar até 31 de Dezembro a autorização de captura de 400 quilos por dia de chicharro pelas embarcações da ilha de São Miguel. O preço tem-se mantido, mas isso é consoante a abundância da espécie, esclarece. “Há muito peixe, o preço baixa, há pouco peixe, o preço sobe. É a lei do marcado, nada mais, mas neste momento tem havido pouco quantidade de espécie no mar”.
Acresce referir que a portaria que mantém até ao final do ano a permissão para capturas em maior quantidade de chicharro nas ilhas de São Miguel e Terceira, publicada em Jornal Oficial, entra em vigor Quarta-feira, 1 de Novembro.
Na ilha Terceira, as embarcações vão poder continuar a capturar 200 quilos diários de chicharro até ao final do ano.

Fonte: Correio dos Açores

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