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	<title>Arquivo de Jean Georgelin - A Pesca nos Açores</title>
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	<description>Associação de Produtores de Espécies Demersais dos Açores</description>
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		<title>Quem foram os portugueses que salvaram Jean Georgelin?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[apeda]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Mar 2016 14:29:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura Marítima]]></category>
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		<category><![CDATA[Pesca & Indústria]]></category>
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		<category><![CDATA[Museu Marítimo de Ílhavo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Delegação da associação francesa de memória durante a visita a Ilhavo, com o objectivo de encontrar sobreviventes que socorreram o antigo pescador Tripulantes do navio português Águas Santas resgataram, em 1959, das águas geladas do Atlântico Norte um jovem pescador francês. Passados quase 60 anos, há quem queira prestar a devida homenagem a esses “heróis” [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://www.pescazores.com/wp-content/uploads/2016/03/8768803.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-12732" src="http://www.pescazores.com/wp-content/uploads/2016/03/8768803.jpg" alt="8768803" width="800" height="450" /></a>Delegação da associação francesa de memória durante a visita a Ilhavo, com o objectivo de encontrar sobreviventes que socorreram o antigo pescador</em></p>
<p><strong><span style="font-size: 13px;">Tripulantes do navio português Águas Santas resgataram, em 1959, das águas geladas do Atlântico Norte um jovem pescador francês. Passados quase 60 anos, há quem queira prestar a devida homenagem a esses “heróis” lusos, que, na sua maioria, ainda estão por identificar.</span></strong></p>
<p>Naquele que seria mais um dia de trabalho a bordo igual a tantos outros, Jean Georgelin, um jovem pescador francês, tripulante do navio <em>Colonel Pleven</em>, acabou por cair ao mar, em pleno Atlântico Norte, numa latitude onde a temperatura da água torna, ainda, mais difícil uma batalha pela sobrevivência. Ninguém o terá visto cair, razão pela qual ainda terá levado algum tempo a ser ecoado, a partir da ponte de comando do <em>Colonel Pleven</em>, o alerta “<em>Mayday</em>” (palavra-código para emergência). A chamada foi escutada a bordo do <em>Águas Santas</em>, arrastão português que andava a pescar bacalhau na mesma zona, e cuja tripulação conseguiu resgatar o jovem pescador francês das águas geladas, são e salvo.</p>
<p>Esta é uma história com um final feliz, ocorrida em 1959, durante a primeira campanha de pesca do ano – ao contrário dos lugres, os arrastões cumpriam duas viagens por ano aos grandes bancos da pesca –, e que não se encontra registada em documentos ou livros. Mas é recordada, com toda a exactidão, na memória de um homem em particular: Jean Georgelin, na altura jovem pescador, actualmente, empresário de sucesso na área dos transportes. Os anos passaram, mas o francês não esquece que “é aos tripulantes do navio português que deve a vida”, como o próprio costuma referir, e se há sonho que gostava de concretizar é o de “dizer obrigado” aos homens que, em 1959, integravam a tripulação do <em>Águas Santas</em>.</p>
<p>Já passaram quase 60 anos, grande parte dos tripulantes de ambos os navios já terão morrido, mas o sonho de Jean Georgelin vir a Portugal dizer “muito obrigado” é grande. De tal forma que já conseguiu “contagiar” vários amigos, que tal como ele fazem parte da associação Mémoire et Patrimoine des Terre Neuvas – uma colectividade sediada em Saint-Malo, França, que visa preservar a memória e património da pesca do bacalhau na Terra Nova. Jean Georgelin não sabe, mas alguns representantes da associação à qual pertence acabam de vir a Portugal, com o objectivo de tentar localizar algum homem que tenha feito parte da tripulação do <em>Águas Santas</em> em 1959. “A nossa ideia era fazer-lhe uma surpresa. Poder encontrar algum tripulante e preparar uma cerimónia para ele poder vir cá, agradecer a quem o salvou da morte”, explicou ao PÚBLICO Michel Lee Bolloch, um dos elementos da Mémoire et Patrimoine des Terre Neuvas. “Sabemos que é algo que ele quer muito fazer, portanto, vamos tentar por tudo”, acrescentou.</p>
<p><strong>De Ílhavo até Caminha</strong><br />
O primeiro ponto de paragem de Michel Lee Bolloch e dos outros quatro companheiros que vieram consigo até Portugal – entre os quais o presidente da associação, Hyacinthe Chapron – foi o Museu Marítimo de Ílhavo, instituição de referência na investigação e património da pesca do bacalhau. “Fez-se uma pesquisa, mas não conseguimos encontrar uma lista de tripulantes do <em>Águas Santas</em> desse ano”, desvendou Ana Maria Lopes, antiga directora do museu e investigadora nesta área. “Os documentos que o museu tem são os que foram cedidos por instituições como o Grémio [dos Armadores de Navios da Pesca do Bacalhau], mas elas também só cederam o que tinham”, explicou. “Mas encontrámos a ficha do navio, o que já pode ser um bom ponto de partida para investigar, cruzar dados e tentar chegar aos tripulantes”, acrescenta, a propósito dos esforços já encetados por si, por vários elementos da Associação dos Amigos do Museu (AMI) e pelos responsáveis da unidade museológica.</p>
<p>Além da ficha que congrega os dados da embarcação construída na Holanda, em 1949, e que foi, depois, adquirida pela Empresa Comercial e Industrial de Pesca – com sede na Rua do Comércio, em Lisboa -, a comitiva da associação francesa garante ter levado também de Ílhavo “experiências inesquecíveis” e totalmente inesperadas. Exemplos? Fruto do mero acaso, Hyacinthe Chapron, presidente da associação e que foi capitão da pesca do bacalhau durante muitos anos, reencontrou por estas terras um capitão português, Valdemar Aveiro, que havia conhecido na Terra Nova, em 1957, e que nunca mais tinha encontrado. “O meu coração está a bater forte”, relatava, na altura do reencontro. “E também houve a feliz coincidência de termos connosco o capitão Júlio Bela, que pertence à AMI, e foi comandante do <em>Colonel Pleven,</em>enquanto o navio foi português”, acrescentou Ana Maria Lopes.</p>
<p>Cumprida a visita ao Museu Marítimo de Ílhavo, a comitiva da associação Mémoire et Patrimoine des Terre Neuvas seguiu para Caminha, terra de onde levaram também uma “mala cheia” de emoções fortes. “Fruto do levantamento que temos vindo a fazer, em que temos já o registo de mais de 700 homens de Vila Praia de Âncora que andaram na pesca do bacalhau, conseguimos apurar que, em 1959, existiam três pescadores daqui embarcados no <em>Águas Santas</em>. Um já morreu, outro está emigrado em França, mas há um, o senhor Alfredo Presa, que está por aqui”, enquadrou Aurora Rego, investigadora que integra os quadros da câmara municipal de Caminha e que recebeu a comitiva de Saint-Malo.</p>
<p>A verdade é que Alfredo Presa, com 81 anos, não se recorda do episódio do salvamento de Jean Georgelin, mas “isso não é assim tão estranho”. “Como o pescador francês foi retirado da água e levado para o seu navio, sem passar pelo <em>Águas Santas</em>, e como o trabalho a bordo era feito por turnos, pode ter-se dado o caso de o Sr. Alfredo Presa estar a dormir na altura em que tudo aconteceu e nem ter sabido de nada”, explicou Aurora Rego ao PÚBLICO. Mas, ainda que não tivesse memória do caso, “o encontro entre o senhor Alfredo e a comitiva francesa foi muito emotivo. Choraram, cantaram, ficaram amigos”, acrescentou.</p>
<p><strong>Agradecimento aos “amigos portugueses”</strong><br />
Para muitos homens do mar o episódio protagonizado pelos tripulantes do navio português pode não parecer assim tão extraordinário. A história da pesca do bacalhau viveu outros episódios semelhantes de salvamento de pescadores – ainda que nem todos tenham tido um final feliz. Mas para Jean Georgelin, actualmente com cerca de 80 anos, aquele momento fez toda a diferença e é a ele que deve o facto de ainda viver. E sente-o de forma tão intensa que, mesmo a 57 anos de distância, chora ao lembrar-se do que aconteceu naquele dia. Muito embora o antigo pescador não tenha feito parte da comitiva que viajou, na passada semana, até Portugal – e nem sonhe que estes contactos estão a ser encetados – há um vídeo da Mémoire et Patrimoine des Terre Neuvas no qual conta, de forma muito emocionada, a sua história.</p>
<p>“Só via o <em>Colonel Pleven</em> a afastar-se cada vez mais de mim e eu na água”, relata, a propósito da aflição que viveu depois de cair do navio, com a roupa de oleado vestida. “Perdi a noção do tempo”, acrescenta. “Vi, depois, um outro navio, de cor preta, a aproximar-se. Era o <em>Águas Santas</em>. Pensei: vem procurar-me”, prossegue, sem conter as lágrimas. “Desceram um dóri do navio e vieram até mim”, conta ainda o homem que tem consciência que deve a vida “aos amigos portugueses”, como faz questão de frisar neste mesmo vídeo.</p>
<p>Jean Georgelin terá, certamente, mais pormenores para contar e explicar – como por exemplo, que memórias guarda dos homens que o retiraram da água –, mas essas perguntas terão de ficar para mais tarde. Ao que tudo indica, para Outubro, altura em que a associação Mémoire et Patrimoine des Terre Neuvas estima poder levar a efeito a devida homenagem aos homens do <em>Águas Santas</em>. “O nosso objectivo é que a cerimónia se realize em Portugal”, revelou Michel Lee Bolloch. O Museu Marítimo de Ílhavo é, para já, o local apontado para esse evento. Mas até lá há ainda muito trabalho a fazer, nomeadamente, tentar encontrar outros homens que, em 1959, estiveram no <em>Águas Santas</em>. “Quem tiver uma pista, souber de um familiar que lá tenha andado, pode contactar-nos. Mesmo que se trate de pessoas que já tenham falecido é uma ajuda para nós”, apela este membro da associação francesa.</p>
<p>Fonte: <a href="https://www.publico.pt/" target="_blank" rel="noopener">Público</a></p>
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