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	<title>Arquivo de sobrevivente - A Pesca nos Açores</title>
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	<description>Associação de Produtores de Espécies Demersais dos Açores</description>
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		<title>Harrison sobreviveu 60 horas no fundo do Atlântico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[apeda]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Jun 2013 10:05:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Defesa & Segurança]]></category>
		<category><![CDATA[Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Harrison Okene]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cozinheiro de um barco que se afundou manteve-se a respirar numa casa de banho. Foi salvo por mergulhadores ao fim de 60 horas. A história de Harrison Okene, um cozinheiro nigeriano de 29 anos, é a história de um &#8220;milagre&#8221;. É ele quem o diz, depois de ter sobrevivido ao afundamento do barco em que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Cozinheiro de um barco que se afundou manteve-se a respirar numa casa de banho. Foi salvo por mergulhadores ao fim de 60 horas.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A história de Harrison Okene, um cozinheiro nigeriano de 29 anos, é a história de um &#8220;milagre&#8221;. É ele quem o diz, depois de ter sobrevivido ao afundamento do barco em que trabalhava. Durante dois dias e meio, escapou à morte graças a uma bolha de ar. Os restantes 11 companheiros morreram todos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tudo se passou em finais de Maio, mas a história só agora foi contada nos <em>media </em>mundiais graças à agência Reuters. Harrison Okene era cozinheiro num navio rebocador que estava ao serviço de uma companhia petrolífera a 30km da costa da Nigéria. A 26 de Maio, um temporal no Atlântico, com ondas gigantes, levou o barco a virar-se.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Seriam 4h50, segundo o cozinheiro, que estava numa pequena casa de banho no momento em que o navio começou a afundar-se. Dos 12 tripulantes, dez foram encontrados mortos, um continua desaparecido e Harrison foi salvo por dois mergulhadores sul-africanos, a 28 de Maio.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">&#8220;Estava esfomeado, mas principalmente tinha sede. A água salgada levou-me a pele da língua&#8221;, recorda o sobrevivente, que classifica como um &#8220;milagre&#8221; o facto de ter escapado com vida. Quando se apercebeu que a água estava a invadir o interior do barco, Harrison forçou a porta de ferro da casa de banho e tentou escapar para um compartimento adjacente, onde três colegas foram levados pela água. &#8220;Estava ali, na água, no meio da escuridão total, a pensar que seria o fim. Sempre à espera que a água enchesse o compartimento, o que acabou por não acontecer&#8221;, descreve.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Sem conseguir chegar a uma saída, Harrison deixou-se ir com a corrente através de um corredor estreito até chegar a outra casa de banho, junto à cabine de um dos responsáveis do navio <em>Jacson-4</em>, que estava a trabalhar junto a uma plataforma da petrolífera Chevron. Foi nessa altura que Harrison sentiu o barco a aterrar no fundo do oceano. Para sua surpresa, acrescenta a Reuters, ele continuava vivo.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Vestindo apenas cuecas, o cozinheiro ficou aí um dia, segurando-se ao lavatório virado ao contrário para manter a cabeça fora de água. Depois, encheu-se de coragem e abriu a porta para o quarto, onde começou a desfazer os painéis da parede na esperança de poder usar um deles como jangada, prossegue a Reuters, que o entrevistou na sua terra natal, Warri, uma cidade no delta do Níger.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">&#8220;Estava muito escuro. Não via nada, mas sentia que não estava ali sozinho, que havia ali corpos de companheiros mortos. Apareceram peixes que começaram a comê-los. Conseguia ouvi-los. Foi um horror.&#8221;</span></p>
<p><span style="color: #000000;">A Chevron enviou uma equipa de resgate para o local do acidente e, a 28 de Maio, Okene ouviu um martelo a bater contra o casco. Eram mergulhadores. &#8220;Ouvi: bum, bum bum. Mergulhei e encontrei um cantil, com o qual comecei a bater no interior do casco na esperança de que me ouvissem.&#8221; E ouviram-no.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">A equipa de resgate forçou a entrada no barco afundado, e, de repente, Harrison viu a luz de uma tocha a passar no corredor junto ao quarto. &#8220;Reentrei na água e dei um toque com a mão no mergulhador. Acenei-lhe quando ele se virou. Ele estava chocado.&#8221;</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Equiparam-no com uma máscara e botija com ar comprimido, vestiram-lhe um fato de mergulho para o tirarem dali. Às 19h32 desse dia, voltou à superfície. A empresa para a qual trabalhava diz que o navio estava a 30 metros de profundidade. Ele acha que estava no fundo do Atlântico.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Apesar de a história dele ter acabado bem, Harrison não se livrou ainda das angústias. &#8220;Quando estou em casa, às vezes parece que a cama em que durmo se está a afundar. Dou um salto e grito.&#8221; Diz que não sabe se algum dia regressa ao mar. &#8220;Não sei o que impediu a água de encher aquele quarto. Eu só chamava por Deus. Ele salvou-me. Foi um milagre.&#8221;</span></p>
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