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Cabos Submarinos, possível alvo de futuro ataque terrorista?
Em 1858, o primeiro cabo telegráfico submarino ligou a Irlanda à Terra Nova. Pouco tempo depois e logo após a invenção de Bell, um cabo telefónico permitia que a voz atravessasse o Atlântico. A proliferação de cabos nos oceanos não mais parou até que a invenção do satélite, nos anos de 1980, se revelou incontestavelmente mais barato e rápido na transmissão de dados, e os cabos de cobre adormeceram no fundo dos oceanos. Mas a euforia dos satélites que cobriram os telhados das casas depressa foram substituídos pelo revolucionário cabo de fibra óptica. A rápida transmissão na ordem dos segundos e a magnitude de dados em simultâneo permitiram à fibra óptica ser hoje responsável por 95% de todo o tráfego intercontinental. Através dos oceanos, estes cabos permitem-nos enviar e-mails, transferências bancárias e toda a panóplia de comunicações que utilizamos. Inconscientes pela facilidade como as usamos só perante desastres realizamos a importância desta infra-estrutura. Em 2006, um tremor de terra destruiu nove cabos no mar perto de Taiwan. Foram necessários 49 dias para a sua reparação durante os quais comunicações com a China, Japão, Filipinas, Singapura, Vietname ficaram inactivas. Os prejuízos, no comércio, na banca…foram incalculáveis. No ano seguinte, pescadores vietnamitas, na tentativa de recuperarem o cobre de cabos antigos, acabaram por descativar os cabos de fibra óptica activos. Durante os três meses, que durou a reparação, o Vietname ficou sem ligações com Hong Kong e a Tailândia, sendo os prejuízos também elevadíssimos. Para minimizar os riscos destas ocorrências, os cabos foram instalados longe das rotas marítimas e pesqueiras, e a maior parte está sinalizada nas cartas marítimas, assim como acessíveis na internet. Robert Martinage, antigo secretário da Marinha Americana, num artigo publicado na revista Foreign Affairs de Janeiro/Fevereiro 2015 alerta para o risco de um atentado terrorista e avisa Washington que a defesa desta infra-estrutura deveria estar no topo das suas preocupações.
Mas como e quem deve vigiar os 960 000Km de cabos submarinos?
Fonte: Jornal da Economia do Mar







