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Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, de Peniche vai criar minhocas para a pesca

Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, de Peniche vai criar minhocas para a pesca

A minhoca, uma espécie usada na pesca comercial e desportiva, poderá vir a ser reproduzida e vendida no nosso país. A tarefa está a cargo de docentes da ESTM.

É um dos iscos vivos convencionais na pesca comercial e desportiva e, na sua grande maioria, é oriundo da Coreia e dos EUA. Em Portugal, também existe minhoca similar, mas não há criação, disse à INVEST Ana Violante Pombo, investigadora da ESTM – Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, de Peniche, que vai coordenar um projeto de avaliação do impacto da reprodução de minhoca para pesca no nosso país.

Trata-se do projeto “Isco vivo – Anelídeos poliquetas como isco vivo em Portugal: gestão da apanha, importação e cultivo” e é financiado pelo Promar (Programa Operacional de Pesca) no valor de 350 mil euros e estará em curso até final de 2015. Este projeto, que será coordenado por Ana Pombo, docente no Instituto Politécnico de Leiria na área da Aquacultura e investigadora do Grupo de Investigação em Recursos Marinhos, contará com mais três investigadores deste Grupo e seis bolseiros, bem como da parceria do Centro de Oceanografia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

É esta equipa que tem como objetivo desenvolver a tecnologia do cultivo de isco (de espécies como a Hediste diversicolor e de outros anelídeos poliquetas) com valor comercial, tendo em vista a gestão da apanha, a sustentabilidade dos ecossistemas e o impacto das importações.

O projeto contempla a caracterização da apanha de isco nos sistemas estuarinos de Portugal, a avaliação do seu impacto ecológico e ambiental e visa ainda propor medidas de gestão e ordenamento da atividade.

Importamos “coreano e minhoca americana, que chegam a custar 50 euros o quilo”, mas “desconhecemos os impactos da sua colocação nos nossos ecossistemas”, disse Ana Pombo, esclarecendo que este isco vivo há muito que é exportado por alguns países, como a Escócia, Austrália, EUA e Coreia.

O que também pode acontecer com a minhoca portuguesa. Para já não existe reprodução, mas apenas a apanha desregrada nas zonas estuarinas, “apanha que já deve ter impacto naquelas áreas”, adiantou a investigadora. Nas instalações da ESTM já se fizeram experiências de reprodução e “agora estamos a tratar da melhor dieta de engorda, uma vez que para comercialização a minhoca deve ter cerca de 8 cm”, esclareceu.

A tecnologia de cultivo poderá ser de fácil inserção no mercado, sendo vista como vantajosa para o desenvolvimento do país tendo em conta a sustentabilidade da aquacultura em Portugal.

Foto: Paulo Cunha

Fonte: Revista Invest

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