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Pescadora em São Miguel há 30 anos, Lurdes Batista lidera associação de mulheres do setor

Pescadora em São Miguel há 30 anos, Lurdes Batista lidera associação de mulheres do setor

“A associação é para que as mulheres pescadoras tenham os mesmos direitos que os homens” frisou a dirigente da Ilhas em Rede, admitindo que “muita coisa já se resolveu” e “já é visível uma alteração de mentalidades”.

Depois de 30 anos a abraçar de “alma e coração” a profissão de pescadora, Lurdes Batista tornou-se ativista dos direitos das mulheres no setor, liderando a Associação de Mulheres na Pesca nos Açores – Ilhas em Rede.

“Fui durante 30 anos pescadora. Tenho o meu próprio barco no porto da Caloura, em Água de Pau [ilha de São Miguel], mas desde há quatro anos estou fora da atividade, devido a um acidente e os médicos não me autorizam a trabalhar”, contou Lurdes Batista à Lusa.

Casada com um pescador, Lurdes Batista diz que a pesca sempre foi o seu “ganha-pão”, uma profissão que já passou para os três filhos, um dos quais mestre de embarcação, como o pai, e os outros dois pescadores.

“A embarcação ainda é minha. Sempre vivi da pesca. Fiz a minha vida como pescadora”, disse Lurdes Batista, lamentando, no entanto, que a vida do mar esteja “difícil comparando com há dez anos”.

A pescadora, dirigente da Associação Ilhas em Rede desde há um ano, atribui as dificuldades atuais no setor à “falta de peixe” e a desvalorização do pescado.

É na organização Ilhas em Rede, com sede em São Miguel, que encontra também outras pescadoras, mulheres que exercem esta profissão no arquipélago e que pretendem “mostrar que não se trata de um trabalho apenas para homens”.

Criada há sete anos para “dar visibilidade” ao trabalho das mulheres pescadoras, a associação tem atualmente perto de 40 associadas em todas as ilhas dos Açores, mas desconhece quantas pescadoras existem no arquipélago, pelo que um dos objetivos é elaborar um estudo neste sentido.

“Pescadoras podem existir muitas. Umas vão regularmente para o mar, mas outras trabalham na pesca na terra, porque se dedicam à preparação das artes (gamelas, cofres, redes), ou até a atividades administrativas em terra, tratando de papéis. Por isso, é que queria fazer um estudo até para saber se aumentou ou diminuiu o número de mulheres devido à crise”, referiu.

A 08 de julho, a Associação de Mulheres na Pesca nos Açores assinala o seu sétimo aniversário, segundo Lurdes Batista, afirmando que são realizadas reuniões mensalmente.

“Queremos sempre saber as dificuldades de todas as mulheres pescadoras. Apoiamos também as associadas em relação a tudo o que têm para saber sobre leis”, descreveu Lurdes Batista, salientando que as mulheres pescadoras debatem-se com “muitas dificuldades”.

“Querem dinheiro para pagar água e luz e não têm devido à falta de rendimentos”, afirmou.

Fonte: Açores 9 / Lusa

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