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Pescadores acusam secretário de Estado do Mar de não perceber da pesca

Pescadores acusam secretário de Estado do Mar de não perceber da pesca

A Associação Pró Maior Segurança dos Homens do Mar defendeu, este domingo, não haver alternativa à sardinha para as embarcações de cerco e acusou o secretário de Estado do Mar de não perceber a arte da pesca.

“O senhor secretário de Estado não sabe o que é a arte da sardinha nem outra arte qualquer”, disse à Lusa José Festas, presidente da Associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar, com sede na Póvoa de Varzim, para quem Manuel Pinto de Abreu “está a leste de tudo”.

No dia em que secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, lembrou aos pescadores, em entrevista à Lusa, que existem outros peixes no mar para além da sardinha, José Festas respondeu que se o governante “viesse ao terreno perceber o que é uma traineira (…) percebia que não é possível (…) O cerco é específico à sardinha”.

Foi proposto “outra arte nas embarcações do cerco [mas] não é possível. Está fora de questão”, lamentou o pescador frisando que “barcos para sardinha não dão para outra arte” tal como “uma camioneta para coelhos não leva passageiros [ou] um autocarro não leva porcos”.

José Festas destacou ainda que para as embarcações se poderem dedicar a outra arte, que não o cerco, necessitariam de um investimento “muito grande” a rondar os 120 a 150 mil euros e de uma nova licença que “ele [secretário de Estado] não dá, porque não tem capacidade”.

O responsável avisou ainda que “se a frota da sardinha não for ativada rapidamente” pode pôr em risco todo o setor, incluindo as conserveiras e a própria comunidade de pescadores uma vez que é a arte do cerco que emprega mais pessoal, com “23 a 28 homens” por embarcação.

Criticou também a redução da quota anual de sardinha para 13.500 toneladas em 2014, considerando que esse limite fará com que as embarcações só consigam trabalhar “dois meses por ano, se tanto”.

“Acho que o secretário de Estado devia vir primeiro ao terreno, perceber o terreno e depois fazer essas declarações”, atirou José Festas, lançando um convite a Pinto de Abreu para que possa perceber “que aquilo que está a dizer não é correto”.

José Festas garantiu que “se o armador tivesse condições para ir para outra arte, evidentemente que não tinha o barco parado”, o que não acontece até porque “não é fácil andar atrás de outro peixe [que não a sardinha] com o cerco”.

Manuel Pinto de Abreu destacou hoje à Lusa que cabe às organizações de produtores avaliarem como devem fazer a gestão da atividade, mas adiantou que é preciso ponderar dois fatores: primeiro, a impossibilidade de pescar sardinha, segundo a possibilidade de pescar outras espécies alternativas.

Sublinhando que “o ‘stock’ da sardinha não está de muita saúde”, o governante acrescentou que foi essa a razão que levou à suspensão por ter sido atingida a quota anual disponível.

A proibição foi compensada com a atribuição de subsídios aos pescadores, mestres e armadores num total aproximado de quatro milhões de euros, o que corresponde a um salário de 600 a 800 euros por mês, por tripulante, em função das atividades a bordo.

Fonte: Jornal de Notícias

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