Social
Sistema de medição das espécies de peixe por fotografias testado em lotas açorianas

Sistema de medição das espécies de peixe por fotografias testado em lotas açorianas

O sistema Fishmetrics, um projecto que foi financiado pelo Governo dos Açores e pelo SIDER, de que o actual Secretário do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Meneses, foi um dos principais promotores iniciais, esteve a ser testado nas lotas da Horta, da Madalena e de Vila do Porto, soube o ‘Correio dos Açores’. O gabinete de Gui Meneses afirmou que já não tem nada a ver com este projecto e revelou que um dos responsáveis é o Eng. César Silva.

Foi o investigador Gui Menezes e a empresa Reverse Engineering que desenvolveram este inovador sistema de medição de pescado por si idealizado com soluções móveis e fixas a ser montado em lotas ou a bordo de navios.
O Fishmetrics permite a obtenção de medidas do pescado desembarcado, através da recolha de informação indispensável para a avaliação do estado de exploração dos recursos marinhos. Este sistema baseia-se na aquisição automática e processamento biométrico computorizado de imagens digitais.

Gui Menezes apresentou o projecto no dia 11 de Abril de 2013 numa conferência em Ponta Delgada que foi uma iniciativa do Departamento de Economia e Gestão da Universidade dos Açores para dar exemplos de empresas start up que surgiam de dentro do estabelecimento de ensino superior.

Mais tarde, a 6 de Março de 2015, O investigador Gui Meneses que é doutorado em Ecologia Marinha e Investigador Auxiliar no Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, concedeu uma entrevista ao jornal ‘Tribuna das Ilhas’ a explicar o protótipo do projecto.

A sua investigação incidiu, maioritariamente, na compreensão dos padrões e tendências de distribuição, abundância, diversidade e efeitos da pesca nas espécies de peixe de fundo no mar dos Açores.

Segundo as declarações do investigador, “para se fazer a avaliação dos recursos pesqueiros é necessário muita informação sobre as espécies bem como a forma como os pescadores pescam”. E o conhecimento do tamanho dos peixes capturados é “uma componente importante da informação necessária aos estudos que servem de base para a gestão dos recursos pesqueiros”.

“Conhecendo os tamanhos podemos conhecer as idades e, juntamente com toda a outra informação, obter estimativas de abundância e biomassa das populações exploradas, bem como da quantidade que podemos retirar anualmente de forma sustentável”, explica.

“A recolha destes dados é realizada nas várias lotas (ou a bordo dos navios de pesca). No caso dos comprimentos do pescado descarregado, a obtenção de amostras representativas para cada espécie é um processo moroso, dispendioso, muito artesanal (utilizam-se réguas para medir o peixe) e sujeito a inúmeros erros”, referiu na entrevista ao ‘Tribuna das Ilhas’. Foi precisamente para tentar “encontrar uma forma que aumentasse a qualidade dos dados” que o investigador desenvolveu o Fishmetrics, refere-se no jornal.
“A fotografia digital torna-se uma tecnologia comum e a facilidade de manipulação e armazenamento das imagens encerrava um grande potencial a ser utilizado na recolha de dados de forma massiva e com grande facilidade”, conta.

 

Medição a partir de imagens

O Fishmetrics consiste na obtenção de imagens digitais das caixas de peixe a partir das quais é possível obter medidas precisas de qualquer coisa que esteja visível na imagem. “A partir do comprimento de uma barbatana peitoral, ou o comprimento de uma cabeça de uma determinada espécie é possível obter o comprimento total do animal, que é o que nos interessa”, explica.

“A solução que permite obter medidas de uma fotografia não é trivial, embora fosse uma técnica já conhecida dos engenheiros especialistas em tecnologia de visão e com os quais nós temos vindo a trabalhar no desenvolvimento do sistema”, esclarece.

Gui Menezes explica ainda que, “para além de não ser necessário manipular o peixe, os dados conseguidos têm menos erros e as imagens podem ser arquivadas podendo em qualquer momento ser acedidas de qualquer lugar onde se esteja”.

“Tudo funciona na Internet e tanto os medidores como a própria recolha das imagens podem estar em qualquer lugar. Isso é uma coisa fantástica. Podemos ter equipamentos a recolher dados no Corvo ou em Vigo e uma pessoa a trabalhar para nós na Índia”, conta, garantindo que, com este processo, “a qualidade e representatividade dos dados passa a ser incomparavelmente melhor”.

O Fishmetrics foi desenvolvido nos anos 2006 e 2007. A primeira solução protótipo obteve “resultados excelentes quando comparados com a forma de amostragem tradicional”. Perante estes resultados, Gui Menezes decidiu concorrer ao Concurso Nacional de Inovação do BES e ao START, um concurso de ideias de negócio patrocinado pelo banco BPI, a que concorreram mais de cem projectos. O Fishmetrics venceu o concurso do BES, na área de Comércio e Serviços, e classificou-se entre os oito primeiros projectos no START.

Estes resultados trouxeram “confiança e alguns meios para avançar com a ideia de negócio”, no entanto, explica o biólogo, “por questões pessoais e profissionais houve um período em que a ideia de negócio ficou arrumada na gaveta”. “Mais tarde e motivado por algumas pessoas, a ideia foi retomada e em finais de 2013 avançou mais a sério com a elaboração de um estudo de viabilidade e uma candidatura aos sistemas de incentivos regionais”, revelou.

Inicialmente o projecto científico teve o apoio do Governo Regional através da Direcção Regional das Pescas. Depois, o projecto empresarial foi desenvolvido com o apoio do sistema de incentivos SIDER.

Fonte: João Paz / Correio dos Açores

Deixe um Comentário