Social
800 quilos de chicharro apreendidos em Rabo de Peixe quando “ninguém infringiu a lei”

800 quilos de chicharro apreendidos em Rabo de Peixe quando “ninguém infringiu a lei”

Pescadores de chicharro de Rabo de Peixe indignaram-se ontem à porta da lota, junto ao porto, por terem visto cerca de 800 quilos de chicharro apreendidos e multas aplicadas aos armadores pela Inspecção Regional das Pescas. Tudo porque, antevendo o mau tempo que se irá prolongar até quinta-feira, saíram para o mar no Domingo à noite e entregaram o peixe em lota “apenas para ser pesado porque sabemos que não podemos vender o peixe na segunda-feira”.

As palavras são do armador António Sebastião Vieira que é um dos seis chicharreiros de Rabo de peixe que saiu para o mar no Domingo, e que dá voz à revolta os homens do mar. Chegaram, de madrugada, e dirigiram-se à lota para descarregar o peixe “mas era para arrumar para ser vendido só na Terça-feira, porque depois de uma reunião que tivemos com o Governo em 2014, sabemos que de Domingo para Segunda-feira não se pode vender peixe na lota”.

O problema, explica António Sebastião Vieira, é que “ninguém na lota nos informou que não podíamos descarregar o peixe de madrugada” e por isso a tarefa foi feita como habitualmente. 800 quilos de chicharro deram entrada, mas à tarde os armadores foram informados “que o peixe estava apreendido e estávamos todos multados”, refere. Muitos dos pescadores que integram os seis barcos acenam em concordância, afirmando que “não há nenhuma informação de nenhum decreto lei que nos impeça de descarregar o peixe. O que não podemos é vender e isso nós sabemos”.

“Se nos informassem não deixávamos o peixe aqui e vínhamos dar entrada com ele à hora certa”, volta a referir António Sebastião Vieira que acrescenta que estando a vida dos chicharreiros já dificultada, há ainda o pouco peixe que é pescado e que é apreendido e por isso não renderá dinheiro ao armador que, ainda por cima, terá de pagar a multa correspondente.

“Eu tenho os meus filhos, os meus companheiros, não recebem subsídios, descontamos para o subsídio mas não o recebemos, não recebemos nada. Agora só na Quinta-feira é que o tempo será melhor, e entretanto quem é que vai sustentar o pessoal? Aquele peixe é nosso e tínhamos de ser informados que não podíamos pôr o peixe para dentro”, desabafa António Sebastião Vieira.

Ao lado dos pescadores esteve o Presidente da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe, Jaime Vieira, que fez um alerta “para haver bom senso. Os pescadores estão revoltados porque não fugiram à lei, nem sequer fugiram à lota, apenas anteciparam a ida ao mar devido ao mau tempo”, refere, ao que outro armador presente atira “se tivéssemos fugido à lota ganhávamos mais”.

O Presidente da Junta resume a história e a indignação “desta comunidade que vai para o mar arriscando a sua vida para tentar trazer o peixe e guarda para ser vendido. Fazem isso no Domingo porque só a partir de 5ª feira vão poder ir de novo ao mar. Vão à procura do seu sustento, e agora quem vai sustentar as famílias? Tem de imperar bom senso para que essa vida de pescadores não fique mais prejudicado”.

Jaime Vieira fala no ordenado mínimo nacional que os pescadores não têm mas que arriscam até a própria vida para que consigam uma vida digna. “Não são coitadinhos, trata-se de justiça social”, refere ao que os armadores presentes respondem que se trata apenas “do nosso ganha pão”.

Fonte: Correio dos Açores

Deixe um Comentário