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Família açoriana que dá a volta ao mundo ficou sem combustível e foi auxiliada em zona de risco de pirataria na Somália

Família açoriana que dá a volta ao mundo ficou sem combustível e foi auxiliada em zona de risco de pirataria na Somália

A família açoriana que se encontra a fazer uma viagem de circum-navegação à vela, teve na passada Quarta-feira um contratempo que obrigou à intervenção de um navio da Marinha Paquistanesa.

A tripulação, composta por Armindo Furtado, Joana Amen e os filhos Benita e Leonardo Furtado, foram auxiliados pelo navio da Marinha do Paquistão ALAMGIR, ao largo da Somália. De acordo com a Marinha do Paquistão, o navio que prestou assistência ao “Benyleo 2” da família açoriana, pertence a uma missão de combate à pirataria e foi accionado quando o iate ficou sem combustível e circulava a baixa velocidade numa área de risco de pirataria.
A informação disponibilizada pela Marinha do Paquistão dá conta que a família açoriana saiu do Porto de Galle, no Sri Lanka, rumo à Eritreia, com a logística necessária. No entanto, “devido ao clima adverso inesperado, a embarcação esgotou toda a armazenagem de combustível”, ficou assim sem combustível e à deriva durante algumas horas e com poucos mantimentos a bordo.
A Marinha paquistanesa “não forneceu apenas o combustível, mas também forneceu mantimentos à família”, que é composta por pai, mãe e dois filhos de oito e cinco anos. Em nota de imprensa, a Marinha do Paquistão dá conta que “a família portuguesa ficou muito grata ao Paquistão e à Marinha do Paquistão por providenciarem a assistência a tempo e de forma generosa, que permitiu à família navegar com segurança na área afectada pela pirataria”.
A mesma nota informa que os navios da Marinha do Paquistão participam activamente em vários grupos de união de esforços que são obrigados a realizar operações de segurança marítima e anti-pirataria.
A assistência ao “Benyleo 2” é outra parte da manifestação da “forte história” da Marinha do Paquistão na prestação de assistência humanitária em alto mar.
Recorde-se que a família açoriana que foi agora auxiliada ao largo da Somália, partiu de Ponta Delgada em Novembro de 2016 para uma viagem de circum-navegação em família durante dois anos. “Ambicionamos com esta viagem conhecer o Mundo, partilhá-lo, educar os nossos filhos e fazer algo com impacto social e ambiental, na procura de um mundo melhor”, explica a família desde o início do projecto. Uma viagem que deverá estar concluía em Setembro deste ano, quando a família chegar novamente a Ponta Delgada.

 

Um projecto educativo e de experiências

No entanto, no projecto desta “volta ao mundo de uma família açoriana”, pode ser acompanhado através das redes sociais e de um blogue que vai sendo actualizado.
Mas importa ressalvar os nove objectivos que a família se propôs alcançar com este projecto. Nomeadamente, “perceber os lugares, trocar aprendizagens, criar laços, recolher histórias e tentar deixar algo por onde passarmos”, deixando elementos que se relacionem com o património dos Açores e convidando os locais a colocar num saco vazio algo sobre a terra visitada.
Há ainda a intenção de “promover a partilha global de boas práticas de Responsabilidade Social” e, enquanto voluntários da Sailors for the Sea – Portugal, realizar actividades de consciencialização para a sustentabilidade dos Mares e Oceanos dirigidas a crianças. A família pretende também encontrar açorianos pelo mundo e as manifestações açorianas que se encontram por todo o mundo, dando delas conta promovendo a valorização da cultura e gentes açorianas. Como quinto objectivo, o casal e os dois filhos procuram também aumentar a união familiar, já que navegando em família passam mais tempo uns com os outros quando na sociedade actual “orientada para o trabalho, com requisitos que muitas vezes nos impedem de nos dedicarmos a amar, cuidar e educar os nossos filhos como gostaríamos”.
Esta viagem será também uma pausa para toda a família, “um intervalo para encontrarmos novos interesses, desenvolver novos talentos, aprender com outras culturas, com a diversidade e a maravilhosa multi-culturalidade que se tornará acessível e que tanto nos pode ensinar sobre desafios, tolerância e compaixão”.
Isto, ao mesmo tempo que tentam “dar oportunidade aos nossos filhos de se desenvolverem num formato diferente, onde todas as perguntas são válidas, todos os desafios e problemas superáveis, onde a aprendizagem se faz pela experiência e onde a autonomia e a preocupação ambiental são tão importantes como aprender a ler”, referem. As crianças são incentivadas também a fazer um diário de viagem; enquanto pretendem sobretudo “partilhar as personalidades interessantes que se cruzarão connosco nesta Aventura”, pode ler-se em jeito de súmula deste projecto familiar de conhecer novas culturas e ter uma aprendizagem pela experiência que este casal açoriano quis partilhar com os dois filhos: Benita e Leonardo, agora com 8 e 5 anos.

Fonte: Correio dos Açores

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