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João Cabeçadas quer mais portugueses nas regatas de circum-navegação

João Cabeçadas quer mais portugueses nas regatas de circum-navegação

O velejador luso de 54 anos integra a equipa Alinghi.

O velejador João Cabeçadas disse hoje que gostava de deixar de ser o único português a ter participado em regatas de circum-navegação, apontando como possível sucessor Renato Conde, da equipa de terra da Mapfre na Volvo Ocean Race.

“Não sei muito bem porque é que ainda sou o único, porque, por exemplo, o Renato é um excelente velejador e útil a bordo”, afirmou João Cabeçadas, em declarações à agência Lusa, à margem da apresentação da escala em Lisboa da regata oceânica.

O setubalense, de 54 anos, integrou as tripulações do Esprit de Liberte, de Patrick Tabarly, em 1989/90, do La Poste, de Éric Tabarly, em 1993/94, e no Brumel Sunenergie, de Hans Bouscholte e Roy Heiner, em 1997/98, da Whitbread Round the World Race, antecessora da Volvo Ocean Race.

“Andar à vela toda a gente sabe, puxar pelas cordinhas e dar ao leme todos os velejadores sabem, mas há muito mais do que isso, é preciso conviver com as mesmas oito pessoas durante os meses de cada etapa e agora é preciso manter todos os sistemas hidráulicos, eletrónicos, etc…e o Renato é tão vasto em tudo o que é preciso manter, acho que, claramente, tem lugar a bordo, só falta uma pequena faísca. Eu acho que ele é muito bom, mas falta-lhe a experiência”, referiu João Cabeçadas.

A oportunidade de disputar estas provas ficou a dever-se a um convite de Patrick Tabarly, que reconheceu a “mais-valia” conferida pelo estudo na escola náutica e de oito anos na marinha mercante, algo que lhe permitiu concretizar, de uma vez, vários sonhos: “Como em 1994, cruzar o Cabo Horn [no extremo sul do continente americano] na Whitbread, com Éric Tabarly”.

“Eu estou perfeitamente realizado por estar numa equipa destas, numa regata destas. Obvio que navegar é sempre outro passo, que pode acontecer. Eu acho que tenho qualidade suficiente para integrar a equipa, acho que posso ser útil em vários departamentos, mas isso jogou contra mim, porque ninguém quis deixar de contar comigo em terra para me ter a bordo”, explicou Renato Conde.

O aveirense, de 31 anos, tem como “trabalho a tempo inteiro todo o acompanhamento e processo de reparação, revisão e manutenção”, em cada uma das escalas das nove etapas, incluindo a que vai ocorrer em Lisboa, entre 25 de maio e 07 de junho.

“Eu acho que todos devem conhecer esta experiência, esta ‘loucura’ que é andar numa regata à volta do mundo, com nove pessoas e a viver praticamente durante um mês consecutivo. Venham ver, viver e aprender um pouco”, revelou, em jeito de convite, Renato Conde.

Uma mensagem corroborada por João Cabeçadas, que, apesar de integrar a equipa Alinghi, vencedora em 2014 de dois circuitos da Extreme Sailing Series, exalta a dimensão da Volvo Ocean Race.

“Esta prova é a vela à sua maior escala, daí que aproveitar esta passagem por Lisboa é indispensável. Acho que vale a pena passar um dos dias pelo local da prova, para ver os barcos de perto, ver como as equipas trabalham em terra e, claro, a regata no porto”, rematou.

Fonte: SAPO Notícias

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