Social
Maré Viva varre costa alentejana e leva praia fluvial de Odeceixe

Maré Viva varre costa alentejana e leva praia fluvial de Odeceixe

A areia desapareceu mas se o mar seguir a regra dos últimos anos pode ser que regresse na próxima Primavera. Depois da tempestade, os turistas voltaram aos banhos de mar.

Odeceixe foi uma das praias mais castigadas pela forte ondulação que se fez sentir em toda a costa ocidental do Algarve, nos últimos dias. O mar, com ondas de quatro metros, varreu o areal de uma ponta a outra e levou uma parte significativa dos inertes, artificialmente colocados no Verão passado para dar mais espaço aos banhistas. Nesta quarta-feira, tudo voltou à normalidade: enquanto caía neve na serra da Estrela, no Algarve os turistas atiravam-se ao mar, com a água a 20 graus – quase à mesma temperatura do ar

O vice-presidente da câmara de Aljezur, José Gonçalves, foi ver o que restava da intervenção feita pela Sociedade Polis Litoral do Sudoeste Alentejano na praia de Odeceixe. “Nada de especial, isto faz parte da dinâmica costeira”, comentou. Depois da tempestade, volta o lazer e, na praia já recomposta, um casal de estrangeiros praticava o ioga, fazendo “saudações ao sol”.

O autarca, em declarações ao PÚBLICO, defende a necessidade de dar continuidade ao projecto de requalificação de Odeceixe e completar a intervenção na praia, construindo paliçadas e um passadiço para ajudar a reconstruir a duna. A dúvida, acrescentou, está em saber qual a melhor altura para fazer as obras: “O Inverno ainda só agora começou, não sabemos o que está para vir”.

O que se passou na costa vicentina, diz o presidente da Administração Hidrográfica do Algarve (ARH), Sebastião Teixeira, foi uma “situação normal, embora pouco frequente”. A forte ondulação coincidiu com uma maré de águas vivas e isso fez com que uma parte das recargas de areias tenha desaparecido. O areal de Odeceixe emagreceu quase um metro. Um outro caso de destruição foi o que se passou na praia Dona Ana, em Lagos – uma obra que gerou muita polémica por causa da artificialização de uma das praias mais bonitas da região. “Temos de deixar o mar fazer o seu trabalho”, observa Sebastião Teixeira, adiantando que foi calculado uma sobrecarga de 15 a 25% de areia para antecipar o seu desaparecimento no primeiro Inverno após a intervenção. Por outro lado, adiantou, a praia também deverá rodar 5 a 10 graus no sentido do ponteiro dos relógios, de modo a que leixão que foi construído fique dentro de água.

Em Odeceixe, António Filipe, engenheiro químico, reformado, é dos veraneantes habituais. “Conheço esta praia há 52 anos e assisti às muitas transformações que sofreu”. Por isso não ficou surpreendido por ver o mar galgar a praia e chegar até ao rio. A praia fluvial, criada artificialmente no último Verão, escorregou para o leito da ribeira. No passado, disse, “já existiu ali praia, depois desapareceu”. O ecossistema tem vindo a sofrer alterações que não se explicam apenas pela erosão marítima. Antes das plantações dos eucaliptos na serra de Monchique, observou este engenheiro, chegava grande quantidade de água à ribeira e isso deixou de acontecer, tendo consequências a vários níveis. “Ainda conheci arrozais, plantados aqui nesta várzea”, exemplificou.

O vice-presidente da câmara promete lutar para voltar a repor a praia fluvial. “Queremos ter no próximo ano duas bandeiras azuis nesta praia, uma do lado do mar e outra do rio”. O director da ARH promete que as obras de requalificação desta zona balnear vão ser retomadas até final do ano. E o mau tempo? “Pois é sempre um risco, mas não se pode fazer no Verão”.

Fonte: Público

Deixe um Comentário