Social
Nos Açores a fileira alimentar do mar ainda poderá criar mais emprego

Nos Açores a fileira alimentar do mar ainda poderá criar mais emprego

Este foi um dos desafios lançado pela PwC na apresentação do LEME Zoom Açores, intitulado Ilhas de Arco-Íris.

A fileira alimentar do mar é o subsector da economia do mar que tem tido maior capacidade de absorção de emprego e que ainda poderá criar mais emprego pela aposta na conservação e transformação dos produtos. Este foi um dos desafios lançado pela PricewaterhouseCoopers (PwC) na apresentação, em Ponta Delgada, do LEME Zoom Açores, intitulado Ilhas Arco-Íris, um barómetro sobre Economia do Mar.

Num contexto em que o número de embarcações da frota de pesca que descarregam na região e do valor de desembarque de pescado cai desde 2008, ao mesmo tempo que o número de pescadores apresenta uma tendência de crescimento fruto do desemprego na construção civil, a PwC sugere que este subsetor deve acrescentar valor ao produto base primário através da sua conservação, transformação e diversificação e reforçar da marca dos produtos transformados, entre outros.

Assim a indústria conserveira tem o potencial para se desenvolver e poder tornar-se numa fonte de criação de emprego na Região.

Miguel Marques destacou ainda que as empresas da fileira alimentar do mar têm os mesmos problemas que as outras empresas quer na Região quer no continente, afirmando que são necessários projetos específicos para apoiar as empresas.

“Em Portugal, e também nos Açores, a fileira alimentar do mar continua a ser robusta, sendo uma das mais antigas, que emprega muita gente e que continua a contribuir de forma muito positiva para o valor acrescentado da economia do mar”, afirmou Miguel Marques ‘partner’ da PwC, frisando que a pesca e a indústria de pescado são setores “tão importantes quanto o setor petrolífero” se somarmos o seu contributo total a nível global para produzir valor acrescentado, o que faz este setor necessitar de mão de obra tornando-o “altamente empregador”.

A fileira alimentar do mar é um dos quatro subsetores que compõem a economia do mar, que o ‘partner’ da PwC caracteriza como “bastante resiliente”.

“Há uma nota que começa a sobressair, a economia do mar, em geral e a nível regional, é bastante resiliente, o que quer dizer que enquanto uns setores caem, também há outros que sobem mesmo num período de crise muito generalizada o que é um aspeto muito importante a reter”, afirmou, acrescentando ainda que o facto de ser uma economia resiliente significa que “é importante nunca apostar tudo num só setor ou em poucos setores”

Miguel Marques destacou ainda que “numa abordagem sobre economia do mar os sinais que o LEME traz são de que se deve apostar em todos os setores, tendo em conta as diferentes fases em que se encontram”.

“Desde sempre o mar tem atividade económica e humana, o que o conceito de economia do mar traz de novo é que valerá a pena olhar para a interligação em cada um destes setores (…) e que se olharmos de uma forma transversal começamos a perceber que as apostas num setor não afetam apenas esse setor, mas que afetam de uma forma global toda a economia’, afirmou.

Os transportes marítimos e os portos foram outro dos subsetores analisados no barómetro da PwC. Sobre esta área a PwC revela que entre 2008 e 2013 as variáveis relacionadas com o transporte de contentores, transporte de mercadorias e o número de navios sofreram um decréscimo fruto da instabilidade económica que se abateu sobre o país e a Região.

“Os portos são um caso paradigmático”, afirmou Miguel Marques, acrescentando: “temos claramente o país como um todo a crescer na carga de contentores mas o arquipélago não tem crescido por muitos fatores, podendo-se sublinhar um que é comum ao resto do país: a diminuição da construção civil”.

Para este subsetor a PwC sugere que se concebam portos marítimos como plataformas logísticas integradas em cadeias logísticas nacionais e internacionais, maximizando o interface entre autoestradas do mar, rodovia e aeroportos; se melhorarem as condições técnicas dos portos: profundidade, condições de operação nos portos, serviço ao cliente e comunicação; e se reduza a fiscalidade e a burocracia associada às transações portuárias, entre outros.

Também o turismo foi analisado pela PwC que no LEME Zoom Açores a revelar que ao longo dos últimos anos, os aumentos verificados nos índices das variáveis deste subsetor estão diretamente relacionados com as apostas efetuadas na atração de cruzeiros.

“O turismo de cruzeiros tem-se vindo a revelar um dos segmentos turísticos mais dinâmicos, apresentando bons níveis de crescimento. No entanto, entre 2012 e 2013, o movimento de passageiros e o número de escalas corrigem em baixa”, refere o documento.

Neste ponto a PwC sugere o desenvolvimento do ‘branding’ Açores que afirma estar em boa posição mundial em termos de qualidade do mar, da água, qualidade ambiental, fauna e flora subaquática e biodiversidade.

“Uma das boas marcas dos Açores é da sustentabilidade ambiental que também é uma característica reconhecida a nível internacional, o que é extremamente positivo. O desafio é como capitalizar este ativo dos Açores em mais emprego e mais valor acrescentado’; frisou.

Miguel Marques referiu ainda que a Região também se tem vindo a destacar no contexto internacional no vetor da investigação do mar profundo, “o que se nota pelo número crescente de publicações de qualidade internacional”.

Fonte: Açoriano Oriental

Deixe um Comentário