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O fotógrafo português de surf está Tó Mané entre os 100 melhores fotógrafos de acção e aventura do mundo

O fotógrafo português de surf está Tó Mané entre os 100 melhores fotógrafos de acção e aventura do mundo

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O protagonista. Foto: © João Pedro Rocha

“Estar na lista dos melhores fotógrafos do mundo ao lado de outros nomes da fotografia de surf e de outros desportos de acção que sempre me inspiraram no meu trabalho é no mínimo motivante para continuar esforçar-me. Isto significa que o meu trabalho está a ter visibilidade. Claro que é mais um passo na minha carreira como fotógrafo e acaba por ser a divulgação do meu nome, mas não só… ter um fotógrafo de surf português nessa lista é bom para o país, para o surf e sinto-me orgulhoso de poder contribuir para a nossa história, ajudando a divulgar as ondas e os surfistas portugueses”, confessou ao WAX Tó Mané, que viu recentemente o seu nome entre os 100 melhores fotógrafos de acção e aventura do mundo, atribuído pelo site norte-americano “Soul id”.

O trabalho do profissional português é descrito pelos especialistas como diferenciador pelo facto “de ele não se concentrar na edição das suas imagens, mas sim na produção de fotografias ao natural com um ligeiro contraste, se necessário”. Dos perfis já revelados, o fotógrafo natural do Porto, de 40 anos, é o único português na lista. “Gosto não só de tirar a fotografias ao surfista e à onda, como também enquadrar essa imagem num background que diga um pouco mais sobre a mesma. Veres uma fotografia de uma onda gigante na Nazaré, se não tiveres um enquadramento, pode ser em qualquer lado do mundo e acho que o sucesso daquela foto teve a ver com isso, com a envolvência (ter o farol e o forte). Os pormenores são o que identificam o local e o ambiente. Tento fazer mais esse tipo de fotografia… A onda, o surfista, a manobra, enquadrar a luz, o contraste e essa informação envolvente. Torna a obra mais artística.”

A paixão pela fotografia já vem de longe. Foi com o avô, por quem foi praticamente criado, que Tó Mané ganhou o jeito e, deste então, nunca mais parou. “Pegava nas máquinas dele, que eram todas manuais e analógicas, e fotografava aquilo que me chamava mais a atenção, desde paisagens, retratos… era mais numa de brincadeira”, recordou. Mas a brincadeira virou vício ao mesmo tempo que aparecia o surf. Foi por influência de amigos que o fotógrafo começou a entrar na água, combinando o desporto com a arte. “Como fazia surf e gostava de tirar fotografias, comecei a retratar o meu dia-a-dia, a tirar fotografias aos meus amigos, às ondas, etc.” Foi então que decidiu deixar a vertente de economia de parte e frequentar o curso superior de fotografia na Escola Superior Artística do Porto (ESAP). Mas foi em 1998, após ver o seu trabalho publicado na Surf Magazine, revista da especialidade já extinta, que Tó Mané começou a levar “a coisa mais à séria”, decidindo tornar-se profissional na área.

Tó tem exposto o seu portfólio pontualmente em vários locais e trabalha, regularmente, com a Galeria Surf Leça, tendo os seus trabalhos percorrido os vários cantos do mundo. Em 2012 lançou o seu primeiro livro intitulado “Travel” no qual combina duas das suas grandes paixões, o surf e as viagens. No ano seguinte, viu o seu nome em grande destaque com a imagem que captou Garrett McNamara a surfar a onda gigante da praia do Norte, na Nazaré. “Recordo-me desse momento. Aliás, recordo-me de todas as fotografias que imaginei fazer. Captar a imagem que imaginavas e conseguir transpô-la para a realidade para todas as pessoas verem é um momento especial. Essa sensação fica para sempre. Para mim tirar uma boa fotografia é a mesma coisa que fazer uma boa onda e mandar um grande tubo”, disse-nos satisfeito.

Completamente dedicado ao seu trabalho fotográfico, Tó Mané acredita que é possível viver da fotografia em Portugal, mas é preciso muito esforço e dedicação. “Não é um mercado fácil, mas é possível, em grande parte por causa do digital. Tiras uma fotografia e consegues enviar para vários meios de comunicação ao mesmo tempo, ou seja, consegues rentabilizar mais o teu trabalho, mas para ser uma coisa viável financeiramente tens que inventar e reinventar um bocado o mercado e não podes estar parado à espera que as coisas aconteçam”, afirmou, lembrando que a indústria do surf está em crescimento. “Portugal está a tornar-se num ícone de surf a nível mundial, em que as revistas de surf e fora do meio têm cada vez mais interesse. Acredito que qualquer pessoa que tenha talento e que se esforce a sério mais dia, menos dia consegue fazer do seu sonho a sua profissão”, concluiu.

Foto: © Tó Mané

Fonte: WAVES ART & XTORY

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