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O poder do Atlântico

O poder do Atlântico

O Atlântico não está a entrar em colapso em termos de importância geoestratégica e continua a ter um grau de integração económica superior ao de outras regiões do globo, apesar da ascenção da China, considerou Bruno Cardoso Reis, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e do ISCTE e consultor técnico do Instituto de Defesa Nacional durante uma palestra proferida ontem na Sociedade de Geografia, subordinada ao tema, “Geoestratégia e dinâmicas de poder no Atlântico”.

Entre outros argumentos que atestam a maior integração atlântica face a outras regiões, segundo o próprio, Bruno Cardoso Reis destacou o facto de se falarem essencialmente “quatro línguas” no Atlântico (inglês, francês, espanhol e português), o que contribui mais para unir do que para desunir, ao contrário do Extremo Oriente, por exemplo, o potencial demográfico na zona atlântica, onde África apresenta os mais elevados índices de crescimento mundiais, e a descoberta de recursos energéticos que tenderão a competir com os do Médio Oriente.

Para o investigador, estes factores representam oportunidades que Portugal pode e deve aproveitar. Afinal, “o Atlântico sempre foi central para o desenvolvimento de Portugal e continuará a ser”, referiu. “Mas não podemos continuar de costas voltadas” para o oceano, acrescentou, adiantando que o nosso país deve formular um pensamento estratégico sobre o mar e pode até constituir um elemento agregador de uma plataforma internacional que reúna diversos agentes interessados no desenvolvimento económico da zona atlântica.

Portugal não deve presumir que mais território e fundo marinho representam automaticamente maior riqueza, referiu Bruno Cardoso Reis, pensando na extensão da plataforma continental portuguesa ou, como preferiu chamar-lhe, inspirado no histórico “mapa cor-de-rosa”, no nosso “mapa azul”. Antes deve apostar no investimento público e privado em inovação e em parcerias (como com o Brasil, a Noruega e outros países), sem esquecer o Atlântico Sul.

Fonte: Jornal da Economia do Mar

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