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PAN-Açores denuncia testes de mineração no mar dos Açores ignorando impacto ambiental

PAN-Açores denuncia testes de mineração no mar dos Açores ignorando impacto ambiental

O PAN-Açores denunciou em nota enviada ao nosso jornal que “o Projeto BLUE ATLANTIS pretende iniciar perfuração teste para mineração no mar profundo dos Açores, ignorando recomendações feitas pelo projecto que estudou o impacto ambiental no ecossistema marinho, dessa mesma mineração”.

Afirma o PAN que “desde Novembro de 2013 que o Projecto “MIDAS” da Comissão Europeia ficou encarregue de preparar um estudo sobre o impacto da exploração de recursos do fundo oceânico nas fontes hidrotermais, um consórcio para informar cientificamente sobre as futuras implicações para os decisores políticos respeitante a perfuração no mar profundo”.

“A compreensão científica dos principais processos geológicos, oceanográficos e biológicos nesses locais é de crucial importância para os decisores políticos avaliarem o potencial ganho de minerais valiosos contra os potenciais riscos ambientais da mineração em alto mar” citando o relatório do projecto.

Diz o PAN que o projecto, em 2016, deixa recomendações económicas, sociais e ambientais alarmantes, afirmando sobre as consequências inevitáveis dos impactos irreversíveis nos ecossistemas onde existirá a mineração, não tendo estudos suficientes para definir concretamente a magnitude desse impacto.

“Os sedimentos erguidos por este tipo de mineração podem em média chegar aos 4 a 8 milhões de toneladas/ano podendo essas partículas percorrerem horizontal e verticalmente até 100 quilómetros de distância, com possíveis rupturas da biodiversidade existente com altos impactos negativos”, acrescenta.

Afirma ainda o PAN-Açores que “um consórcio com 45 parceiros onde estão incluídas várias empresas privadas de 8 países sendo a liderança organizativa a cargo da Alemanha”, participam neste projecto.

“O PAN-Açores questiona e tendo em conta a recomendação do projecto científico em termos de impacto social que sugere veemente a transparência e partilha de informação com a opinião pública afectada e respeitando o património comum da humanidade onde o fundo do mar está inserido, porque é que o Governo Regional não deu qualquer esclarecimento aos seus cidadãos sobre este consórcio dentro da ZEE dos Açores, bem como sobre o suposto impacto devastador para os nossos ecossistemas, onde estão incluídos os cetáceos e todas as espécies de peixes que circundam a nossa orla costeira”, lê-se na nota.

Por fim, o PAN pretende saber e tendo em conta o desconhecimento deste tipo de mineração, se foi contemplado um presumível risco da saúde pública nos Açores.
“Conseguimos compreender o desapego dos outros países numa busca de quererem extrair sulfuretos maciços polimetálicos na nossa Zona Económica Exclusiva sem terem em consideração os efeitos negativos a nível ambiental e social na região, agora o mesmo desdém da parte dos decisores do Governo Regional e da República já nos custa a processar”, salienta, por sua vez, Pedro Neves, porta-voz do PAN-Açores.

“A empresa Canadiana Nautilus Minerals que é um dos parceiros deste projecto está em vias de ser acusada judicialmente pelos habitantes da Papua Nova Guiné, por circunstâncias muito similares mas com testes de mineração nas fontes hidrotermais já realizadas”, denuncia este partido, concluindo que “vemos um retrocesso nas medidas que são adoptadas pelos decisores políticos nos Açores quando a conservação da biodiversidade na região devia ser crucial, ao invés de uma política de extractivismo olhando apenas para o custo-benefício sem ter em conta os impactos irreversíveis no ambiente.”

Fonte: Diário dos Açores

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