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Quebra-mar do porto de Ponta Delgada ficou fragilizado pelos temporais do final do ano passado

Quebra-mar do porto de Ponta Delgada ficou fragilizado pelos temporais do final do ano passado

Os últimos temporais do ano passado, além de provocarem um rombo no molhe do porto de Ponta Delgada, junto ao farolim, levaram também a um grande escorregamento de tetrápodes na zona central da infraestrutura portuária, obrigando à necessidade de um reforço do quebra-mar, apurou o ‘Correio dos Açores’.

Muitos dos tetrápodes, pelo que é dado ver ao jornalista, estão parcialmente destruídos pelo mau tempo, mostrando que foram movidos uns contra os outros pela força das ondas.

O cais de manobras do porto comercial micaelense, que já não se encontrava nas melhores condições, ficou com o piso ainda mais danificado em consequência do arrastamento de pedras pelas ondas para dentro da baía interior da infraestrutura portuária.

O Capitão do Porto de Ponta Delgada, Matos Nogueira, disse, a propósito, ao ‘Correio dos Açores’, que o estado em que se encontra o quebra-mar “não põe em causa” a segurança na entrada e saída de navios.

Matos Nogueira reafirmou também que na baía interior do porto “não existe nenhum obstáculo” (tetrápodes que tenham sido lançadas do quebra mar, por cima do cais, para o mar) à operação de navios.

Por sua vez, a empresa ‘Portos dos Açores’ está a proceder a um levantamento dos estragos causados pelos temporais no porto de Ponta Delgada mas, até ao momento, ainda se desconhece que dimensão têm estes estragos e qual o investimento necessário para repor a normalidade na infraestrutura portuária.

Entretanto, a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada insiste, já em ano de eleições, na necessidade de construção de um segundo molhe em Ponta Delgada a partir de Santa Clara.

“Esta é uma luta que a Câmara do Comércio vai prosseguir por duas razões. De facto, está provado que esta infraestrutura tem fragilidades estruturais. Este temporal veio demonstrar aquilo que vínhamos dizendo, não propriamente em relação ao quebra-mar, mas foi aí que se evidenciou uma fragilidade acentuada o que, no nosso entender, se aproxima da irresponsabilidade relativamente à manutenção daquela infraestrutura. É uma situação que tem de ser imperiosamente resolvida com o máximo de urgência. É preciso fazer uma vistoria adequada ao porto e tomar todas as medidas necessárias para salvaguardar esta infraestrutura no seu aspecto estrutural”, afirmou Mário Fortuna.

Em sua opinião, “é preciso, definitivamente, olhar para o porto de Ponta Delgada e para a sua capacidade de prestar um serviço eficiente às populações de São Miguel. Sem dúvida que o porto resolve o problema: Carrega-se e descarrega-se o que é preciso descarregar e carregar no porto de Ponta Delgada mas não de uma forma eficiente”, salientou.

Aliás, prossegue, com estas situações recentes, foi evidente que o porto teve que parar alguns dias, teve que levar a cabo operações de movimentação total de tudo o que estava sobre o cais porque o porto não oferecia condições nem para máquinas nem para contentores. Esta é uma operação que fica cara, é uma operação que é onerosa para a sociedade açoriana em geral, para os agentes económicos que gravitam em volta do porto. Por isso, é preciso resolver este problema, requalificar o porto de Ponta Delgada e, no âmbito desta requalificação, o que a Câmara do Comércio tem vindo a defender é a criação de mais um molhe exterior que acaba por ter vantagens porque protege o molhe interior. Provavelmente, o risco do molhe interior ficaria reduzido se houvesse um molhe exterior que albergaria também funções de operações de graneleiros”, defendeu.

Mário Fortuna complementa que, “em termos estratégicos para o futuro há novas energias que, provavelmente, entrarão na equação da competitividade e não estamos minimamente preparados para tirar partido desta nova situação. Aquilo que a Câmara do Comércio preconiza é uma infraestrutura substancialmente melhorada, com um molhe exterior que albergue funções de graneleiros e que melhore a competitividade de São Miguel obrigatoriamente e, consequentemente, dos Açores, nas actividades económicas”.

“Se não fizermos isso o que vamos ter é, sistematicamente, operações portuárias ineficientes”, concluiu. J.P.

Fonte: Correio dos Açores

 

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