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“SATA Internacional, EDA, Atlânticoline, Santa Catarina, Sinaga e Portos dos Açores”

“SATA Internacional, EDA, Atlânticoline, Santa Catarina, Sinaga e Portos dos Açores”

A SATA Internacional, os 50,1% da EDA, a Atlanticoline, a conserveira Santa Catarina, a SINAGA e os portos dos Açores são as empresas que, na opinião do economista Gualter Furtado, deveriam ser privatizadas nos Açores.

Numa comunicação, anteontem à tarde, na Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, o Presidente do Conselho Executivo  do Novo Banco dos Açores, considera que “a gestão privada, embora viesse sempre a receber subsídios do GRA para garantir um défice de exploração e uma remuneração de capital, é sempre melhor que a gestão pública que acaba sempre por engordar a empresa e torná-la insustentável com maior prejuízo para o erário público e consequentemente para o utilizador final, os açorianos e as açorianas”.

Cooperativas de leite também são de considerar
Num colóquio sobre privatizações, para assinalar os 180 anos da Câmara do Comércio de Ponta Delgada, Gualter Furtado, que foi um dos oradores, disse que  “os restantes sectores (transportes marítimos, passageiros) embora se encontrem privatizados, na prática funcionam em oligopólio. Acresce que a Gestão dos Portos também merece reflexão, incluindo mesmo a sua privatização”.
O economista entende ainda que “um outro sector que me parece importante “privatizar” ou pelo menos tornar a sua gestão “privatizada” (profissional), se assim fosse possível considerar, é o sector composto pelas diversas cooperativas de leite dos Açores. Uma maximização da eficiência dos factores de produção destes sectores só traria vantagens para todos, nomeadamente produtores (menores custos de produção) e indústria (menores custos de aquisição).

Resta saber se existe capital privado
Gualter Furtado ressalva, no entanto, que “é preciso ter em consideração e atenção que uma privatização de sectores de elevada importância para a região, como é o caso da energia e transportes aéreos, terão que ser objecto de elevada reflexão e análise, considerando que: Não basta ter capacidade de adquirir; é necessário ter capacidade de sustentar e investir. De que forma é um constrangimento o evoluir de sectores tão específicos e exigentes do ponto de vista de necessidade de capital? Sendo os futuros proprietários privados entidades externas à região, é necessário contabilizar no médio prazo qual o efeito para a economia, será positivo, desfavorável, encontrar-se um efeito nulo? Ficarão os proveitos na Região para investimento ou serão transferidos para fora?  Do ponto de vista da curva de utilidade/satisfação do consumidor/Cliente, qual o efeito?”.
“Em síntese, a participação na economia do Sector Privado é bem-vinda desde que constitua um factor acrescido de eficiência e concorrência”, conclui Gualter Furtado, acrescentando que “resta saber se existe capital privado para assumir esta responsabilidade e sem onerar ainda mais o Orçamento Regional do que no modelo actual. Se existirem estes capitais privados e a sua idoneidade e solidez estiverem asseguradas, nada obsta a que estas empresas possam passar para a esfera privada”, afirmou Gualter Furtado, que fez ainda uma introdução histórica sobre as privatizações nos Açores no início da Autonomia.

Não há vontade em privatizar
Sobre este aspecto, Mário Fortuna, Presidente da Câmara do Comércio, considerou haver empresários interessados, mas disse que, pelas conversas com alguns governantes, fica com a ideia de que não há vontade em privatizar nos Açores.
“É neste sentido que organizamos este colóquio sobre privatizações, porque é preciso começar a debater a oportunidade deste assunto e é este organismo que deve liderar a discussão, porque está na nossa génese histórica e ideológica, como empresários que querem contribuir para uma boa economia na região”, disse Mário Fortuna.
Neste colóquio intervieram ainda Monteiro da Silva, antigo Presidente da Câmara do Comércio e hoje Juíz Conselheiro, e o gestor Joaquim Bastos e Silva, cujas comunicações serão publicadas por este jornal nas próximas edições.
Seguiu-se um debate com a intervenção das várias pessoas presentes na assistência.

Foto: © Miguel Nóia

Fonte: Diário dos Açores

 

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