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Rui Terra acredita que a Portos dos Açores vai recuperar de uma situação financeira de um prejuízo de 130 milhões de euros

Rui Terra acredita que a Portos dos Açores vai recuperar de uma situação financeira de um prejuízo de 130 milhões de euros

O Comandante Rui Filipe da Silva Pereira da Terra foi convidado pelo Governo Regional para assumir a presidência do Conselho de Administração da Portos dos Açores, empresa pública responsável pela gestão dos portos e marinas da região. Nesse âmbito, Rui Terra, que sempre trabalhou na área militar naval, foi ouvido pela Comissão Especializada Permanente de Economia da Assembleia Legislativa dos Açores. No início dos trabalhos Rui Terra começou por explicar aos deputados desta Comissão que “o processo de requisição de um oficial da Marinha Portuguesa é diferente dos restantes funcionários públicos e daí este hiato temporal entre o convite e a futura tomada de posse”. O Comandante adiantou igualmente que a “Marinha viu como uma mais-valia ter um dos seus quadros ligado a esta área” e que a região tem oportunidades, num futuro próximo, “de reforçar a sua posição quer a nível interno, melhorando a vida de quem vive nos Açores mas acima de tudo contribuir para a melhoria da imagem dos nossos Portos fora dos Açores”.

Plano de investimentos e prioridades
Na audição de aproximadamente duas horas, os deputados regionais inquiriram o Presidente indigitado da empresa que admitiu, desde logo, não ter ainda conhecimento ao pormenor de todos os dossiers da Portos dos Açores. Questionado pelo deputado do Partido Socialista, Carlos Silva, Rui Terra colocou como prioridade numa primeira fase, “repor os danos causados pelo furacão Lorenzo” e “garantir que todos os açorianos tenham condições para poderem utilizar os seus portos”. Referindo-se em concreto ao Porto das Lajes das Flores, o Presidente indigitado, respondendo a Paulo Estevão, reconheceu “a importância que este Porto tem para todo o Grupo Ocidental” e que tudo será feito para que esta infra-estrutura seja “um porto com condições e que corresponda aquilo que os florentinos precisam”.
Sobre o Porto da Horta, Nuno Barata do Iniciativa Liberal e Carlos Silva do PS, confrontaram Rui Terra relativamente às suas opiniões públicas sobre o projecto a implementar. O Comandante respondeu afirmando que “um artigo de opinião não é um projecto e o que estava em causa era a visão que eu tinha para o porto (…) o objectivo é arranjar as melhores soluções para o Porto da Horta e para as pessoas que lá trabalham”.
Rui Terra destacou a importância do Porto de Ponta Delgada no contexto regional afirmando que “é e será sempre o porto por onde passam mais mercadorias e passageiros”, mas que neste momento e tendo em conta a situação de incerteza que se vive em virtude da pandemia “é precoce estar a avançar com metas e objectivos”.  O Presidente indigitado da Portos dos Açores avançou ainda a intenção de melhorar as condições existentes para receber os navios de cruzeiros nos portos de São Miguel, Terceira e Faial, afirmando no entanto que estes projectos “têm de ser bem pensados”.
Respondendo a uma questão colocada pelo deputado António Vasco Viveiros, do PSD, Rui Terra admitiu que a valorização interna da empresa é outras das prioridades caso tome posse, destacando a importância de se começar a fazer uma renovação “do corpo técnico e operacional”. Segundo adiantou, o quadro de pessoal situa-se actualmente perto dos 45 anos de média de idade.

Resposta à exoneração do cargo do Porto de Cascais
Em Abril do ano passado, foi noticiado pelo Diário de Notícias que Rui Terra foi detido pela PSP e posteriormente exonerado do cargo de Comandante do Porto de Cascais, a seu pedido, por alegada violência doméstica. Neste contexto, Pedro Neves, sem nunca se referir especificamente ao caso, quis saber as razões que levaram à sua exoneração e se o caso terá implicações nas suas funções na Portos dos Açores.
Em resposta, Rui Terra, esclareceu que pediu a exoneração “como Capitão do Porto de Cascais por motivos pessoais e da minha família e que vou reservar para mim e para a minha família (…) Esse pedido de exoneração serviu para preservar a minha família e a instituição que servia”, garantindo que a “Portos dos Açores nunca será prejudicada por isso. É uma garantia que deixo (…) Não fui julgado e a queixa-crime não está em trânsito”, referiu o militar.

A situação financeira da Portos dos Açores
A vertente financeira da empresa, que segundo o deputado António Vasco Viveiros, apresenta um passivo na ordem dos 130 milhões de euros e que tem vindo “a apresentar resultados negativos nos últimos 4 anos”, foi outro dos temas abordados na Comissão de Economia. Rui Terra admitiu aos deputados “alguns ónus financeiros do passado” mas que o “esforço de consolidar as contas é adequado à realidade”, afirmando mesmo acreditar que a recuperação financeira no futuro “será relativamente rápida”. O Presidente indigitado da Portos dos Açores considera que é possível melhorar o tempo de cobrança de dívidas e o tempo de pagamento aos fornecedores.

Tarifários marítimos
A questão dos tarifários praticados nos portos da região, especialmente para os navios de cruzeiro e para os mega e super iates, vertente e aposta que Rui Terra considera poder vir a ser melhor explorada no futuro, foram igualmente abordados nesta audição.
O Presidente indigitado da Portos dos Açores, apesar de considerar que o ideal seria a uniformização desses tarifários a nível nacional, destacou que é muito difícil implementar essa ideia no contexto regional, já que cada uma das 9 ilhas apresenta condições diferentes das restantes. Rui Terra adiantou ainda nesta audição que a Portos dos Açores pretende criar uma plataforma de gestão online, para “os cruzeiros, náutica de recreio e para o segmento estritamente portuário”, com vista a facilitar o seu acesso às taxas existentes.
O Comandante Rui Terra afirmou igualmente nesta audição em Angra do Heroísmo que “o futuro reforçará a posição estratégica dos Açores”. 

Fonte: Correio dos Açores / Luís Lobão

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