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A Poveira // Aposta cada vez maior no mercado internacional no qual é valorizado o produto português e em especial a sardinha!

A Poveira // Aposta cada vez maior no mercado internacional no qual é valorizado o produto português e em especial a sardinha!

Uma das indústrias nacionais mais antigas – as conservas- precisou de conquistar o mercado internacional para que os portugueses lhe dessem valor. Os resultados são visíveis: só no ano passado, a produção nacional de conservas cresceu mais de 19% em quantidade e o consumo interno aumentou. O sector emprega agora mais de 3500 pessoas em Portugal e as conservas “ sempre estiveram na moda. Registe-se que em Portugal, o consumo de conservas de peixe em super e hipermercados aumentou de quase 144 milhões de latas em 2013 para os atuais mais de 150 milhões, de acordo com dados da AC Nielsen. As conservas de atum continuam a ocupar um lugar de destaque com 86% da quota de mercado, em comparação com apenas 8% de sardinhas.

Nesta edição vamos conhecer uma importante fábrica e empresa – A Poveira. Desde 1938 que as conservas da A Poveira estão presentes nos mais exigentes  países do mundo, sendo as suas marcas reconhecidas pela qualidade, excelência e fabrico tradicional. Fabrico tradicional, experiência, elevados níveis de qualidade e inovação constante  são as marcas da A Poveira, que procura dar ao consumidor o melhor produto do setor das conservas.
Aliando as técnicas tradicionais à mais avançada tecnologia de fabrico, A Poveira  alcança o melhor produto, com uma enorme diversidade de receitas.
Fomos conhecer esta empresa conserveira A Poveira que recentemente investiu 3,5 milhões de euros em três novas linhas de produção de atum na fábrica da Póvoa de Varzim, inaugurada em 2013. As novas linhas – que se juntam a três de sardinha e a uma de atum já existentes – vêm consolidar a aposta da empresa na produção de atum para os mercados interno e externo, de maneira a aumentar a competitividade em Portugal e no resto do mundo. Somos recebidos pelo administrador, António Cunha, nas modernas instalações da fábrica em Laúndos que nos fala de uma empresa com 77 anos de história.

MP – Hoje encontramos a Poveira numa nova fábrica, tendo deixado a frente da lota da Póvoa do Varzim, sinal que o crescimento a isso obrigou?
António Cunha – O investimento na nova fábrica integrou o plano iniciado em 2012, quando uma nova administração entrou no capital, mas que manteve os antigos sócios, com uma tradição familiar muito forte na empresa e no setor. A Poveira, que produz e comercializa marcas próprias como a Minerva, Galeão, Alva, Lapa ou Capitão Poveiro – não tinha capacidade para aumentar a produção na fábrica original, construída em 1938, ano da fundação da empresa. Com um investimento de 5,5 milhões de euros, os na altura cerca de 100 trabalhadores (atualmente são 150, sendo a Poveira o maior empregador privado do concelho) mudaram-se para a nova fábrica em janeiro de 2013. Aqui demos continuidade aos produtos que produzíamos na antiga fábrica e começámos também a produzir atum. Esta mudança de casa permitirá quadruplicar o volume de negócios até 2018, muito graças à nova aposta da empresa: a produção de atum em conserva. Daqui saem anualmente 18 milhões de latas de conservas!

MP – A Poveira produzia a cima de tudo sardinha?
AC – Sardinha e cavala. Na sardinha, das cerca de 20 fábricas que existem em Portugal, só três é que continuam a produzir sardinha pelo método tradicional português: primeiro cozemos a sardinha e só depois é que enlatamos. Estas três empresas, todas aqui no Norte, são a A Poveira, a Pinhais e a La Gondola e digo isto de uma forma construtiva, pois a qualidade é completamente é diferente.

MP – E esse valor na técnica do fabrico é valorizado pelo consumidor?
AC – Claro que sim e na nossa “marca de bandeira”, a Minerva, o consumidor percebe o que está dentro da lata. Refiro ainda que, com a nova fábrica e apostando no fabrico de atum, conquistámos novos clientes, sobretudo no mercado nacional, onde crescemos muito, com as nossas marcas Alva, Galeão, Lapa e Capitão Poveiro. Atualmente estamos focados na exportação.

MP – Ou seja o mercado nacional já está devidamente consolidado e a aposta forte agora vai para os mercados internacionais?
AC – Consolidado não, mas é um facto que pesa muito mais do que antes da produção de atum. É, no entanto, um mercado muito competitivo e, com exceção da marca Minerva, no qual sentimos uma pressão muito grande por parte dos nossos clientes. A Minerva é exceção porque, dada a sua qualidade, não sentimos pressão no preço: o consumidor reconhece a sua excepcionalidade e paga um preço justo. A opção é do próprio consumidor, para ter acesso a este tipo de produto. A marca Minerva é produzida só com sardinha fresca e gorda e aqui não facilitamos. Para perceber o que estou a dizer basta contar-lhe que, este ano, só produzimos Minerva um dia. A pesca abriu mas o peixe ainda não tinha a gordura necessária ao nosso padrão de qualidade e apenas num dia é que conseguimos produzir. Com uma seleção destas temos, claro, stocks muito baixos e isto tem o seu preço. Na Minerva temos 53 referências diferentes e o consumidor da marca sabe que só pode comprar Minerva ou as marcas dos nossos concorrentes, La Gondola ou Pinhais, para ter um produto desta qualidade. No mercado internacional já exportamos há setenta anos….

MP – Aliás as conservas nasceram para a exportação!
AC – Sim e 50% das vendas é nos mercados internacionais, o nosso objetivo é, no entanto, crescer, chegar aos 80%. O mercado nacional é muito importante, temos que estar com força, somos portugueses, temos que vender os nossos produtos em Portugal, é um orgulho.
No mercado internacional o produto português é valorizado e a conserva de sardinha produzida em Portugal especialmente, e isto num mercado muito competitivo, com grandes produtores mundiais como Marrocos ou Espanha.

MP – A Poveira exporta para onde?
AC – Estamos nos cinco continentes! O nosso maior cliente além Atlântico são os EUA, vendemos muito para o Canadá, vendemos para o Peru e queremos apostar mais no Brasil.
Temos boa capacidade de produção, que nos permite crescer muito, temos qualidade, o investimento é contínuo, apostamos forte em novos mercados, em novos clientes.

MP – Em épocas de crise e sabendo que com uma lata de sardinha ou atum se faz uma boa refeição, podemos dizer que estamos perante um produto barato!
AC – Muito barato, e não devia ser tão barato. Repare, tomamos um café por 65 cêntimos, compramos uma conserva e pagamos esse preço. Num produto que é composto por uma lata, peixe, molho, mão de obra, aposta no design, elevados custos de transporte. Uma lata de conserva é um alimento, uma refeição! Mas temos que saber gerir e viver nesta realidade.

MP – Hoje que a nível governamental tanto se fala do mar e da necessidade de nos virarmos para o mar e atendendo à nossa grande área marítima, como empresário de uma indústria do mar, o que nos pode dizer?
AC – Podíamos ser muito mais fortes do que somos, por exemplo comparando com Espanha. Basta comparar a indústria conserveira. A maior empresa de Espanha produz tanto como a indústria conserveira nacional toda junta. Podíamos crescer muito mais, note-se que a produção nacional de atum em lata representa menos de 50% do consumo. A maior parte do atum em conserva consumido em Portugal é importada.
A Poveira  produz entre 80 e 100 mil latas de atum em conserva por dia, um número que, espero, contribua para diminuir as 18 mil toneladas de atum importadas por Portugal todos os anos (sobretudo de Espanha), qualquer coisa como o equivalente a 160 milhões de latas. As três novas linhas de produção de atum assegurarão que este produto represente 15% da produção da fábrica e garanta a contratação de mais cerca de 20 colaboradores.

MP – Marcaram presença no SISAB PORTUGAL e o que nos podem dizer sobre a vossa participação
AC – Foi a nossa 3ª participação e temos a dizer que é uma feira muito profissional, ali encontramos clientes, potenciais clientes, aliás o SISAB PORTUGAL é só para profissionais e isso faz a diferença. Esperamos que cresça e é certo que iremos continuar a marcar a nossa presença. Aproveito para lançar o desafio: porque não um SISAB PORTUGAL no Norte de Portugal?

Fonte: Mundo Português

 

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