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Açores // Projecto de demonstração de aquacultura deve avançar ainda este ano com empresa do Continente

Açores // Projecto de demonstração de aquacultura deve avançar ainda este ano com empresa do Continente

Ainda durante este ano deve surgir nos Açores um projecto de demonstração de aquacultura que seria “uma grande oportunidade” para a Região mostrar o potencial de investimento que tem neste tipo de actividade.

O interesse surgiu depois de um workshop internacional que decorreu na semana passada na cidade da Horta e juntou especialistas norte americanos, nacionais e regionais, empresários norte-americanos e nacionais, representantes das pescas e políticos. Entre os empresários esteve Paulo Vaz, açoriano embora radicado no continente há alguns anos onde tem os seus investimentos centrados, responsável pela empresa “FindFresh” cujo mais recente investimento é uma empresa de aquacultura de enguias na Figueira da Foz.

Hélder Silva, Director do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores, vai visitar hoje um dos projectos de aquacultura da “FindFresh” juntamente com o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Fausto Brito e Abreu, o que considera “ importante e é um sinal político de interesse da Região em avançar nesta área”.

O director do DOP avança que o empresário manifestou “interesse e disponibilidade em fazer um investimento também na Região” e por isso considerou “interessante” a forma como decorreu o workshop internacional já que mobilizou não só cientistas, mas também empresários.

Desta forma, nesta reunião que vai decorrer hoje “provavelmente vamos esboçar o que é o projecto de demonstração” já que o objectivo deste encontro é “perceber melhor a capacidade de investimento” do potencial investidor e o que tem sido feito no continente.

Hélder Silva refere que o responsável pela “FindFresh” está “muito optimista” e acredita que a concretizar-se o projecto que consiga demonstrar o interesse e capacidade da Região para produção em aquacultura em offshore, ou seja, em mar aberto através de jaulas, “os investimentos poderão multiplicar-se nos próximos anos”.

Isto porque o director do DOP acredita que apesar dos apoios que têm sido dados, mesmo a nível governamental para a aquacultura, “acho que falta a demonstração da exequibilidade e do interesse dos empresários que têm o seu olho na actividade mas têm tido alguma renitência em avançar, por receio”. Por isso acredita que será mais fácil avançar “depois de uma demonstração daquilo que é o interesse da actividade”, refere.

Mas não são só os empresários que necessitam de “ver para crer” para avançar com investimento na área da aquacultura e Hélder Silva entende que também a banca “carece dessa demonstração para se disponibilizar a apoiar os investimentos ao nível da aquacultura”.

Por isso acredita que é de extrema urgência avançar com o projecto de demonstração, que deverá iniciar-se ainda este ano, para que mais empresários possam perceber o potencial da aquacultura na Região e avançar com mais projectos.

Hélder Silva refere que actualmente estão reunidas as condições para que a aquacultura constitua “uma oportunidade para os empresários”. Primeiro porque, a pesca nos Açores já não representa uma fonte de rendimento segura na área do mar. “Embora continuemos a ser uma região com esta actividade bastante desenvolvida” há agora limitações ao nível do esforço de pesca de algumas espécies.

Depois “há disponibilidade financeira” pois estão a ser facultados apoios para este tipo de actividade. “Toda esta conjuntura é altamente favorável e constitui-se como uma oportunidade para os empresários”, e daí uma reunião que tenha juntado também empresários porque “a única maneira de avançarmos é integrando as empresas e não fechando a aquacultura no mundo científico. Os próprios empresários mostraram-se muito interessados, alguns, em avançar com investimentos na área”.

Por outro lado, adianta Hélder Silva, nos últimos anos tem-se vindo a desenvolver a oferta de estruturas para produção piscícola em mar aberto. “Estas estruturas estão bastante mais desenvolvidas do que estavam há uma década atrás. Hoje penso que faz muito mais sentido, termos essa situação e procurarmos fazer uma aproximação à exploração agrícola nos Açores, com recurso a jaulas instaladas em mar aberto”, refere Hélder Silva.

O Director do DOP acredita ser possível aproximar a aquacultura na Região das explorações agrícolas, que actualmente são uma das mais importantes fontes de rendimento da Região.

Fonte: Correio dos Açores

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