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Aquicultura em Olhão quer pôr Portugal a comer mexilhão nacional
Pouca tradição de consumo faz com que o mexilhão seja visto como um bivalve menor em Portugal, mas um projecto de aquicultura em Olhão pretende colocar o mercado nacional a consumir o molusco, disse um dos responsáveis.
Em Portugal, a maioria do mexilhão consumido é proveniente da Galiza, mas, ainda assim, os resultados do trabalho da Companhia de Pescarias do Algarve (CPA) – num projecto que surgiu por iniciativa do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (que agrega o antigo Instituto de Investigação das Pescas e do Mar) – têm por objectivo o mercado interno, estando a postos para extracção cerca de duas mil toneladas de mexilhões criados em mar aberto, de acordo com o director comercial daquela entidade, José Ribeiros.
“O desafio é pôr Portugal a comer mexilhão, coisa que não tem sido nosso apanágio”, lamentou à Lusa José Ribeiros, que lembrou que, em tempos de crise, o mexilhão podia ser o “marisco do povo”, já que é vendido a preços muito inferiores aos de concorrentes como a amêijoa.
Esse é um dos motivos que levam a que o mexilhão seja um dos destaques do Festival do Marisco de Olhão, que se inicia no próximo sábado, dia 10 de agosto, como indicou, na semana passada o presidente da Câmara, Francisco Leal.
Os primeiros testes na área piloto de produção aquícola da Armona foram feitos em 2007 e os lotes instalados em 2011, tendo a produção inicial sido extraída no começo deste ano, disse o director comercial da CPA, entidade em funcionamento desde 1835, mas só recentemente ligada à produção e venda de bivalves.
“Estamos a tentar entrar num mercado onde não temos tradição porque é dominado pelos galegos”, afirmou o responsável comercial da CPA.
Em 2007, segundo dados da União Europeia, produziram-se no espaço europeu 306.934 toneladas de mexilhão do Mediterrâneo, num valor total de mais de 86 mil milhões de euros, sendo os maiores produtores a Espanha e a Itália.
Se este ano a CPA estima uma produção de duas mil toneladas de mexilhões, o objectivo é que, em 2015, se atinjam as cinco mil, enquanto a cultura de ostras deve alcançar as 100 ou 200 toneladas por ano, tendo por propósito subir até às mil toneladas.
Devido a este projecto de larga escala, que representou um investimento de cerca de 10 milhões de euros, José Ribeiros estima que Olhão já produza mais mexilhão do que amêijoa.
A CPA pretende avançar já com a construção de uma nova fábrica, maior do que a actual no porto de Olhão, e ter uma nova embarcação pronta este ano para dar resposta às necessidades impostas pelas quantidades de bivalves em causa.
Fonte: O Mirante







