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Barco tradicional algarvio é tema de palestra em Vila do Conde
A história do restauro da embarcação tradicional «Os Cavalinhos», de Santa Luzia, Tavira, vai estar em destaque em Vila do Conde, no Congresso «Construção Naval. Arte, técnica e Património», de 25 a 28 de maio próximo.
A apresentação ficará a cargo de Brígida Baptista, arqueóloga e uma das fundadoras da «Lais de Guia – Associação Cultural do Património Marítimo», criada em dezembro de 2015 para defender e divulgar e promover a herança cultural e marítima algarvia.
«Os Cavalinhos» é uma pequena embarcação com cerca de 6 metros de comprimento por cerca de 1, 30 metros de largura, tipologia conhecida por saveirinho (um saveiro mais curto), com mais de 80 anos de história.
Segundo Brígida Baptista, a recuperação foi organizada através de um protocolo entre a família e o Núcleo de Património Marítimo da freguesia de Santa Luzia, que se propôs a reunir apoios junto de entidades públicas e privadas.
Chamava-se «Deus me acompanhe» e iniciou a sua história como embarcação a remos de pesca costeira de polvo, recorrendo ao uso do alcatruz e da murjona.
Devido à sua fisionomia e rapidez, passou também a integrar as tradicionais regatas a remos que acontecem anualmente no mês de agosto (Festa dos Pescadores) nesta freguesia de Tavira. Aliás, o primeiro registo de regatas em Santa Luzia, remota a 1921.
A embarcação passou em testamento de pai para filha, e apesar de ainda estar na posse da família, foi reabilitada graças aos apoios dados por empresas, cidadãos estrangeiros, conterrâneos e entidades várias. O orçamento rondou os oito mil euros. Os trabalhos decorreram no estaleiro «O Pedro», na Fuseta, de finais de 2013 a agosto de 2015.
O processo de reconstrução no estaleiro foi um trabalho em contra-relógio «executado na perfeição, graças ao profissionalismo de excelência do Sr. Pedro, do seu pai e dos restantes trabalhadores».
No processo de restauro foram usadas várias madeiras, com destaque a dois pinheiros de Monchique no casco e madeira brasileira na quilha, que segundo Brígida Batptista, «poderá durar várias gerações».
Hoje, restam apenas duas embarcações tradicionais de madeira em Santa Luzia. A outra é um saveiro, com mastro, «benedito» que já não navega e está em risco de degradação.
Fonte: O Barlavento









