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Empresário recebe grupo que vai estudar instalação de gaiolas para produção em aquacultura na ilha de São Miguel

Empresário recebe grupo que vai estudar instalação de gaiolas para produção em aquacultura na ilha de São Miguel

Aurélio Moniz, empresário, representante da António Mineiro & Andrade Lda, vai ançar com um projecto de aquacultura que se tudo correr bem estará pronto antes do final deste ano. Esta semana chega a Ponta Delgada um grupo de especialistas que vai avaliar das potencialidades de instalação do equipamento no mar (gaiolas) e de como tudo se pode processar em terra. 

O empresário diz ao “Correio dos Açores” que está tudo a decorrer conforme o planeado mas ainda há um caminho a percorrer. Depois de ter ido à ilha da Madeira ver como os nossos vizinhos ilhéus desenvolviam a aquacultura, Aurélio Moniz ficou com a ideia clara do que pretende fazer mas garante que aqui há que adaptar tendo em conta os factores climáticos e marítimos, porque nos Açores há especificidades a ter em conta.

Da reunião desta semana vão ser definidos locais, como referiu, e depois serão avaliados os recursos necessários, porque este é um projecto caro, e são precisas parcerias tanto ao nível do negócio como da parte científica. Contudo, este sector pode dar um forte contributo social, potenciando a criação de postos de trabalho em zonas rurais e costeiras, promovendo também a conservação dessas mesmas zonas.  Tudo porque há que organizar a aquacultura, porque  vão funcionar paralelamente com a pesca artesanal, com a pesca lúdica, com os portos, com o turismo, com cetáceos, com transporte marítimo.

Fernando Gonçalves, da Associação Portuguesa de Aquicultores, quando esteve nos Açores, disse que a nossa vizinha Madeira começa já a ter grande produção de dourada em jaulas. A nível do país “pensa-se que da produção de linguado vai passar a produção de robalo”.

Recorde-se que  foi nesta altura que o projeto  – LocAqua – de mapeamento de potenciais zonas para a instalação de unidades de aquacultura marinha na Região Hidrográfica dos Açores, da responsabilidade de uma equipa de investigadores da Universidade dos Açores (CIBIO), liderada pela investigadora Helena Calado, foi discutido em Ponta Delgada, com a participação de vários especialistas.

O projecto açoriano será disponibilizado aos potenciais investidores regionais, nacionais e estrangeiros. Os investigadores, numa parceria com o executivo açoriano, encontraram zonas aptas e descartaram as zonas inaptas para a instalação destas unidades, de acordo com vários critérios não só da área científica mas também social. Este modelo já foi entregue ao governo para que o tenha como suporte para apoiar o licenciamento de aquacultura nos Açores.

Embora haja interessados, até agora o primeiro empresário a avançar com a ideia de promover a aquacultura nos Açores tem sido Aurélio Moniz, muito embora tenha havido vários contactos de outros possíveis investidores mas pelo que se sabe nada em concreto.

Quanto ao tipo de peixes a produzir em aquacultura, Aurélio Moniz adiantou ao Correio dos Açores recentemente que numa primeira fase avançarão com as espécies mais “rentáveis” e que tenham possibilidades de “um bom crescimento”, como são as espécies “lírio e encharéu” e, a seguir ver da possibilidade de introduzir outras.
Neste momento, o que há em termos de aquacultura nos Açores é um rol de intenções num embrião, quando metade do mundo produz em aquacultura o mesmo que se pesca nos mares.

Em Portugal a aquacultura é uma actividade económica que vem desde a década de setenta do século passado, mas só a partir de 2007-2011 é que o Governo nacional começou a intensificar a produção em mar aberto (offshore) ao mesmo tempo que se começou a importar robalo e dourada da Grécia, sendo certo que a produção nacional não é feita por grandes empresas mas sim por micro e médias empresas.

O presidente da Associação Portuguesa de Aquicultores defende que os Açores devem seguir o caminho de pequenas e médias e empresas, salientando que há factores favoráveis na Região para a instalação de unidades de aquacultura como “a temperatura da água e as correntes marítimas e ondulação. Espécies que podiam, no entender deste responsável, ser uma aposta podia ser o atum (embora se desconheça o seu ciclo de condução), o sargo, o pargo, o mero, o polvo, o pepino do mar e o abalone. Tudo porque são espécies com elevado valor económico, já que os Açores estão distantes do centro e esta seria uma maneira de compensar os valores de logística e transportes”.

Da parte do Governo açoriano o que se tem verificado é que há muita vontade de que apareceçam projectos no âmbito da aquacultura e a legislação feita vem no sentido de que é possível que todos convivam. O executivo açoriano tem apoiado ao longo dos anos o desenvolvimento de estudos pelo Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) conducentes a promover o conhecimento em relação a algumas espécies que poderão tornar-se espécie alvo para o aparecimento de projectos, mas também  das lapas, das amêijoas, da lapa-burra, dos ouriços e outras espécies piscícolas.

Recentemente o director Regional das Pescas disse que um dos grandes desígnios do Governo Regional “é fazer com que o mar dos Açores potencie ainda mais o crescimento económico, gere ainda mais emprego, constituindo-se uma prioridade o desenvolvimento de uma aquacultura que recorra a regimes de produção e de exploração ecologicamnete sustentáveis e onde o mapeamento destas zonas constitua uma mais-valia para o futuro. Ciente que as possibilidades de crescimento por via da pesca extractiva estão sujeitas a condicionalismos vários e a restrições impostas, torna-se necessário apostar na diversificação das pescarias, por um lado, e na valorização do pescado com menor valor comercial de modo a se processar o abastecimento regional. Nesta linha de pensamento a introdução da aquacultura, promovendo o cultivo de produtos diferenciados na Região Autónoma dos Açores poderá contribuir para este desígnio.

Fonte: Correio dos Açores

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