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Açores // Empresários podem investir na produção de lírios e encharéus em aquacultura, além de larvas de altíssimo valor comercial

Açores // Empresários podem investir na produção de lírios e encharéus em aquacultura, além de larvas de altíssimo valor comercial

O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia afirmou na Madeira, que está “optimista” em relação ao desenvolvimento de projectos com espécies com “maior potencial para a aquacultura nos Açores”.
Fausto Brito e Abreu falava durante uma visita ao complexo ‘offshore’ do Campanário, na Ribeira Brava, constituído por seis jaulas destinadas à aquacultura do lírio.
“Estas jaulas conseguem suportar ondas até 15 metros”, salientou o Secretário Regional, considerando ser “muito interessante” para os cientistas e empresários poderem ver como, num sítio onde se regista mau tempo comparável ao que existe nos Açores, é “possível produzir espécies como o lírio”.
Brito e Abreu afirmou que “nos Açores há zonas com potencial para instalar jaulas ‘offshore’ semelhantes”, acrescentando que também “há condições para, em terra, juntamente com o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, fazer o desenvolvimento de larvas de espécies com mais valor comercial, que podem ser criadas com viabilidade económica e que têm grande procura no mercado internacional”.

 

Intercâmbio de experiências em aquacultura é muito útil, afirma Brito e Abreu

O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia afirmou na ilha da Madeira, que o Governo dos Açores pretende “aproveitar a experiência da Madeira” ao nível da aquacultura para a aplicar no arquipélago, frisando que os Açores “têm um enorme potencial” nesta área.
“Queremos levar empresários a investir nos Açores e queremos trazer empresários dos Açores à Madeira para conhecerem o modelo de sucesso [de aquacultura] instalado cá”, afirmou Fausto Brito e Abreu, acrescentando que “o intercâmbio de experiências” entre as duas regiões nesta área é “muito útil”.
O Secretário Regional do Mar, que falava aos jornalistas no final de uma visita ao Centro de Maricultura da Calheta, onde conheceu o trabalho desenvolvido na área da piscicultura, salientou que o objetivo da sua deslocação à Madeira é “dar seguimento e operacionalizar” o protocolo de cooperação sobre pescas e aquacultura que foi assinado aquando da recente visita do Presidente do Governo Regional da Madeira aos Açores, a convite do Presidente do Governo, Vasco Cordeiro.
Nos Açores, frisou Brito e Abreu, “o Governo Regional tem tomado várias medidas” para promover esta indústria no arquipélago.
“Financiámos um estudo feito pela Universidade dos Açores, que fez o mapeamento nas nove ilhas dos Açores das zonas com potencial para instalações ‘offshore’ e ‘onshore’, e criámos um pacote de benefícios fiscais para empresas de aquacultura que se queiram sedear nos Açores”, salientou o Secretário Regional.
Fausto Brito e Abreu referiu ainda que os empresários poderão investir nos Açores em jaulas ‘offshore’, tal como as que existem na Madeira, ou na produção de larvas de peixe em terra, frisando que o acesso à geotermia em alguns pontos pode ser “uma mais-valia competitiva” dos Açores.
Para além da aquacultura, outra “área de interesse”, segundo o governante açoriano, é a aproximação das duas administrações regionais no sector das pescas, nomeadamente através da ‘exportação’ dos Açores para a Madeira do Programa de Observação das Pescas (POPA) em prática nos atuneiros açorianos, que, salientou Brito e Abreu, “favorece os armadores porque o atum [capturado] fica certificado a nível internacional com os selos ‘dolphin safe’ e ‘friend of the sea’”.
O Secretário Regional do Mar afirmou que se pretende, no âmbito do protoloco assinado entre os dois governos regionais, que “seis embarcações da Madeira que se dedicam à pesca do peixe-espada preto pesquem nos Açores, integrando pescadores açorianos nas suas tripulações, possam transmitir-lhes conhecimentos” sobre esta pescaria, que tem pouca tradição na Região.

 

Presidente da Madeira mostra vontade em passar do papel à acção

Segundo o Presidente da Região Autónoma da Madeira, Miguel Albuquerque, “este é um exemplo de que os nossos acordos, entre as duas regiões autónomas portuguesas, não se limitam nem à assinatura de protocolos nem a actos de retórica. Vamos para a acção tendo por base uma plataforma que conseguimos, muito importante, de entendimento entre os dois governos”.
Os Governos dos Açores e da Madeira assinaram no passado dia 1 de Fevereiro, em Angra do Heroísmo, 10 Protocolos de Cooperação no final de uma visita à Região, a convite de Vasco Cordeiro, que incluiu as ilhas de São Miguel, Pico, Faial e Terceira.
Ao abrigo do protocolo relativo aos Assuntos Europeus, cada Governo, de forma autónoma, decidirá a forma de articulação desta representação com a respectiva Região Autónoma e escolherá o pessoal afecto ao Gabinete de Bruxelas.
Já na área das Pescas, os executivos dos Açores e da Madeira comprometeram-se a criar um quadro operacional para que as embarcações registadas em cada uma das Regiões para a pesca de atum e de peixe-espada preto cumpram a legislação regional sobre a gestão da pesca na Região para a qual obtiveram autorização de actividade, assim como “permitam o embarque, presença e pernoita de observadores a bordo das respectivas embarcações, ao abrigo dos programas aplicáveis em cada região”.
Este protocolo abrange ainda a área da aquacultura, disponibilizando-se os dois Executivos Regionais a “partilhar conhecimentos na área da tecnologia e investigação aplicada à aquicultura” e a “promover o intercâmbio de experiências, a transmissão de conhecimentos e o fortalecimento da pesquisa científica entre as comunidades científicas das duas Regiões”.

 

Empresários e cientistas açorianos na Madeira

O intercâmbio dos pescadores do peixe-espada preto e o desenvolvimento da aquacultura estiveram em cima da mesa no encontro que decorreu até ontem na Madeira, região que cultiva em aquacultura 420 toneladas de peixe, sobretudo dourada.
Presente na delegação esteve Aurélio Moniz, representante da empresa açoriana António Mineiro Lda., que em declarações à RTP/Madeira explicou que “estamos já empenhados em desenvolver, nos Açores, também, a vertente da aquacultura, uma vez que ainda não fazemos este tipo de cultura. Vamos começar agora, especialmente com algumas espécies cuja cultura já é feita nos mares do arquipélago da Madeira, desta feita, o lírio, a dourada e o encharéu, bem como outras que já existem nos mares dos Açores. Será uma cultura destinada ao mercado do sushi”.

Fonte: Correio dos Açores

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