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Entrevista: “A pesca também precisa de gente nova”

Entrevista: “A pesca também precisa de gente nova”

Confiante de que o sector primário irá impulsionar o PIB nacional, Assunção Cristas reconhece dificuldades mas mostra-se optimista com os jovens. 

Na semana em que se comemorou o Dia Mundial do Mar, Assunção Cristas anunciou que Portugal vai ter um novo navio de investigação oceanográfica, estratégico para “desenvolver o conhecimento que temos no fundo do mar”. Mais uma pedra neste universo da economia primária onde os recursos naturais do país marcam a agenda da já apelidada “super Ministra”. Para o Económico, e a propósito de um tema “real”, a Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território disponibilizou uns minutos e deu-nos uma entrevista telefónica.. (…) 

E relativamente à pesca? 

A pesca também precisa de gente nova, precisa de formação e precisa que se pesque melhor. Hoje em dia também já temos formas mais modernas de pescar, mas precisamos de fazer um grande caminho. Penso que não devemos olhar só
para a pesca. Devemos olhar para a aquicultura e para o mar como uma fonte de riqueza maior e muito além dos recursos piscatórios. O mar tem recursos vivos e não vivos muito relevantes. O grande desafio de Portugal, no que respeita ao mar, é ter esta visão integrada que nos leva a olhar para aquilo que são as riquezas sub-aquáticas e do subsolo marinho. A dimensão da investigação e do desenvolvimento do conhecimento é uma matéria importantíssima. 

Passando às inquietudes dos jovens com quem falámos: na pesca, dizem que Portugal não tem frota e que é impossível ser competitivo…

A questão da frota pesqueira tem essencialmente a ver com as alterações do direito do mar em 1994 e com a entrada em vigor da legislação internacional nova, que fez com que Portugal deixasse de pescar em sítios onde pescava antigamente. E as suas frotas longínquas foram, de facto, muito abatidas. 

Relativamente à pesca artesanal e à costeira teve menos impacto do que se podia imaginar. Até porque é verdade que houve abate de embarcações, mas normalmente a esse abate seguiu-se uma renovação, não na mesma medida mas em
moldes que permitem pescar melhor e com mais quantidades. Portanto, perdemos em número de embarcações mas renovamos alguma frota. 

Quando olhamos para os números vemos que houve um decréscimo, quando comparamos os anos 80 com a actualidade, mas tem sobretudo a ver, não com esta pesca costeira e artesanal, mas com a longínqua, onde passou a haver regras específicas no que diz respeito à protecção das zonas económicas exclusivas de cada Estado. 

Temos ainda que evoluir na área da pesca, sobretudo fazendo pesca de forma mais moderna, mais precisa e sem tantos desperdícios. Mas a nossa pesca é uma pesca por vezes incompreendida por outros países, porque é uma pesca típica do sul da Europa, é uma pesca multipesca. 

Para além da questão da pesca, o desafio do país é o desafio da aquicultura. Nós temos capacidade de fazer aquicultura e esse é um ponto, em que salvaguardadas as questões ambientais, é preciso começarmos a apostar. 

É possível aumentarmos a nossa quota de pesca na UE?

Essa é uma matéria que está sempre em cima da mesa. Os nossos ‘stocks’ estão ligados com o próprio ‘stock’ das diferentes espécies. Agora, não tenhamos a ilusão. Porque há muita da nossa pesca, e da pesca que é consumida em Portugal, que não está sujeita a nenhuma quota. A questão das quotas é naturalmente relevante mas diz apenas respeito a uma parte das questões, não diz respeito a todo o universo da pesca em Portugal.

Fonte: Económico 

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