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Exposição em Alcântara mostra o problema do lixo marinho à escala global

Exposição em Alcântara mostra o problema do lixo marinho à escala global

Mostra vai estar na Gare Marítima da Rocha Conde de Óbidos, em Lisboa, até 24 de Maio com entrada gratuita.

O que é o lixo marinho, de onde vem e qual o seu impacto no ambiente? A resposta a estas e a outras perguntas sobre os resíduos encontrados no mar e nas zonas costeiras, em Portugal e no mundo inteiro, vai estar na exposição “Lixo marinho: um problema global”, organizada no âmbito do projecto europeu Marlisco, que será inaugurada na sexta-feira na Gare Marítima da Rocha Conde de Óbidos, em Alcântara, Lisboa.

A exposição itinerante, que já passou por 14 locais e ficará naquele espaço cedido pela Administração do Porto de Lisboa até 24 de Maio, visa alertar a população para a dimensão “global” da poluição marinha, em especial para o problema do plástico. “Este material representa 70 a 80% do lixo marinho, embora as pessoas pensem que é apenas cerca de 50%”, diz a coordenadora do Marlisco, Paula Sobral. O objectivo desta iniciativa é também “modificar atitudes e comportamentos”, não só dos cidadãos mas também das autoridades, no sentido de introduzir boas práticas em relação à produção de lixo.

Um inquérito lançado em 2013 para perceber se a população está sensibilizada para estas questões, envolvendo 16 países (entre eles Portugal), permitiu concluir que “todas as pessoas estão preocupadas” com o lixo marinho mas têm uma “noção errada” da dimensão do problema. Isso deve-se, em parte, ao facto de a maior parte do lixo marinho ser invisível a olho nu. “Apenas 8% do plástico que se encontra no mar tem mais do que 25 milímetros (mm), o restante é menor, são partículas com menos de 5mm, muitas delas misturadas com a areia” e praticamente imperceptíveis”, explica Paula Sobral, que é também docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, responsável pelo projecto em Portugal.

O lixo mais pesado acumula-se no fundo do mar – fios de pesca, cabos, redes e armadilhas, vidro, plástico, metal e pneus. São materiais que demoram muitos anos a degradar-se: por exemplo, uma garrafa de vidro demora um milhão de anos a decompor-se, um fio de pesca demora 600 anos e uma garrafa de plástico leva 450 anos até se degradar.

As estimativas das organizações internacionais indicam que 6,4 milhões de toneladas de lixo são introduzidas anualmente nos mares e que existem nos oceanos cerca de 46.000 pedaços de plástico por km2. O problema do lixo marinho é global mas como estão as águas e as praias portuguesas? “Não há muitos dados mas sabemos que a situação é muito preocupante”, responde, ressalvando que não é possível traçar uma tendência porque não existem dados de referência.

Um estudo coordenado pela Universidade dos Açores e divulgado em 2014 indica que o estreito conhecido como “canhão de Lisboa”, a sudoeste de Setúbal, é dos 32 locais analisados o que apresenta maior densidade de lixo marinho. Neste local, a 1602 metros de profundidade, foram encontrados 66,2 pedaços de lixo por hectare, 86,2% dos quais eram de plástico.

Além de painéis informativos, a exposição inclui também actividades destinadas sobretudo às crianças, como jogos. O espaço estará aberto das 10h às 13h e das 14h às 18h, de segunda a sexta-feira e aos fins-de-semana estará aberto das 11h às 18h. Também se aceitam reservas para visitas guiadas de 2 a 24 de Maio através do e-mail marliscopt@gmail.com. A entrada é livre.

Fonte: Público

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