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Norte-americanos decididos a desmantelar o radar da ilha Terceira contra a opinião de Portugal
As autoridades portugueses, sobretudo o Instituto Nacional do Mar e da Atmosfera, ficaram surpreendidas com a decisão técnica dos norte americanos de desmantelar o radar que possuem na ilha Terceira, apesar dos pedidos dos governos português e dos Açores e do próprio IPMA.
Em recente entrevista concedida ao ‘Correio dos Açores’, o Presidente do IPMA, Miguel Miranda, mostrava-se convencido que os norte-americanos iriam ceder o radar para que o instituto pudesse investir à volta de um milhão de euros no equipamento, para que ficasse a funcionar em pleno. Isto enquanto se projecto a instalação de um segundo radar na ilha de Santa Maria.
A primeira ‘comunicação oficial’ ao nível técnico, dos norte-americanos, foi um autêntico ‘balde de água fria’ nas intenções do Instituto Nacional do Mar e da Atmosfera.
A recusa dos norte-americanos foi anunciada ontem, em primeira mão, pela Antena 1 Açores. O Instituto do Mar e da Atmosfera “acaba de ser formalmente informado que a intenção dos norte-americanos é desmantelar o radar, único existente nos Açores. O IPMA está já a trabalhar na contra argumentação técnica no sentido de reverter a decisão dos norte-americanos”, palavras do Presidente do Instituto, Miguel Miranda.
O Presidente do Instituto afirmou que vai responder aos norte-americanos e enviar uma carta ao Secretário Geral da Observação Meteorológica Mundial, “com quem já falei pessoalmente sobre o assunto, e vamos fazer o nosso melhor para que eles não andem para a frente com aquilo que pretendem que é o desmantelamento. A primeira comunicação formal da meteorologia americana foi no sentido de nos informar que a opinião técnica deles é no sentido de desmantelar o radar que existe porque ele não teria suficiente qualidade para continuar a ser operado”, afirmou Miguel Miranda.
Questionado pelo jornalista sobre se acreditava ser possível reverter esta decisão, responde com algum cepticismo. “Eu acreditar, acredito. Mas, para lhe ser franco, – que eu sempre fui bastante transparente em relação a este assunto – não posso dizer que não esteja a ficar um pouco mais desesperançado. Porque uma coisa é eu ter uma resposta negativa do lado de um gestor que vem de uma organização diplomática. Outra coisa é haver uma reposta negativa de uma instituição técnica. Portanto, o MWS é uma instituição ‘prima’ da nossa, que fala a mesma linguagem que nós e isso pareceu-me uma decisão muito sedimentada”.
Portugal pretendia utilizar o radar meteorológico norte-americano durante ano e meio enquanto não há alternativa nos Açores. O próprio Presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, estava esperançado na cedência do radar ao IPMA. Vasco Cordeiro chegou mesmo a colocar esta questão ao Governo da República para desenvolver diligências no sentido de a Região ficar com o radar. Agora, tudo indica que a intenção dos norte-americanos é mesmo desmantelar o radar. Resta saber que diligências fez o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério da Defesa para que tal não aconteça.
Fonte: Correio dos Açores







