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Os Açores têm futuro no Surf

Os Açores têm futuro no Surf

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João Macedo esteve em Ponta Delgada a promover um filme em torno do Azores Wave Week, com especial destaque para Diogo Medeiros, o ‘garoupinha’, um jovem açoriano que se tem distinguido aos níveis regional e nacional nas ondas grandes. João Macedo  é um surfista que já representou Portugal no Mundial de Surf de Ondas Grandes. O especialista elogia o trabalho que se tem desenvolvido no Surf em São Miguel e apela a um apoio público às escolas de iniciados da modalidade.

Correio dos Açores – Quem é João Macedo? Como surgiu para o Surf?
João Macedo – Sou um surfista. Actualmente, sou mais conhecido por me ter especializado no surf de ondas grandes, sendo, durante três anos, o único representante Português e Europeu no Mundial de Ondas Grandes. O surf é uma paixão, um modo de vida, a actividade ao torno da qual toda a minha vida se revolve!. O surf surgiu quando, como criança, passava todos os Verões na casa da minha avó na Praia Grande, em Sintra. As ondas da Praia Grande foram o meu viveiro e ensinaram-me muitas coisas sobre o mar e as ondas grandes…

CA – Qual o seu palmarés em termos de provas de surf em Portugal e no estrangeiro? Sei que, antes dos Açores, esteve em Espanha e em Punta Galea. O que o levou a ser o único representante português no Campeonato do Mundo de Ondas Grandes?
JM – Ao destacar-me nas ondas de Mavericks, na Califórnia, ganhei o respeito e nome para me qualificar para o Mundial. Uma vez no Mundial, com as minhas performances, consegui manter-me nos rankings tendo chegado a acabar o ano no Top 5. Na Europa ganhei provas de ondas grandes em Espanha e tive nomeações para o prémios XXL (os Óscares do Surf) em 2009 e 2011.

CA – Como surgiu o projecto EDP – Mar Sem Fim?
JM – O projecto EDP – Mar Sem Fim surgiu de uma vontade e paixão pelas ondas grandes e pelo potencial e talento dos surfistas portugueses atingirem os reconhecimentos e performances mais altas no mundo do surf de ondas grandes. Através de bolsas para os surfistas com melhor curriculum e iniciativas, através de expedições em busca de ondas grandes e perfeitas, o Mar Sem Fim visa apoiar surfistas portugueses a transcenderem os seus limites e consolidarem o reconhecimento do surf português a nível internacional.

CA – O jovem micaelense Diogo Medeiros conhecido, no meio de surf como Garoupa, já se distinguiu em provas nacionais…
JM – O Garoupinha, dado o seu historial em provas nacionais e nas ilhas, o seu apoio familiar e a sua vontade de fazer surf em ondas grandes, destacou-se para ser integrado na equipa que fez a primeira expedição aos Açores.

CA – Que qualidades distingue no Garoupa enquanto surfista?
JM – O Garoupinha é um surfista humilde – uma das mais importantes qualidades para progredir no surf de ondas grandes e surf em geral… quicá, em todos os parâmetros da vida!! aliado a essa humildade, a sua técnica nas ondas e experiência no mar, mesmo sendo muito jovem, fazem dele uma aposta natural do projecto de alguém que pode, com o tempo e os apoios certos, trazer reconhecimento e títulos para os Açores.

CA – A organização do EDP – Mar Sem Fim esteve a exibir o filme com o Garoupa em São Miguel. Qual a receptividade que teve?
JM – Foi em torno do Azores Wave Week que fomos convidados a exibir o documentário em São Miguel e, inicialmente, na Terceira também. Como a exibição na Terceira foi adiada, conseguimos, com o apoio do Presidente da Câmara de Ribeira Grande, exibir o filme na Ribeira Grande, concelho onde estão todas as ondas destacadas e surfadas no documentário!
A receptividade foi muito positiva e calorosa. Muitas pessoas, mesmo da ilha, não sabiam até que ponto a família Garoupa estava tão ligada ao mar e ao surf.

CA – Está a construir-se uma unidade hoteleira, junto à praia de Santa Bárbara, sobretudo para surfistas. Acredita que o surf pode trazer muitos jovens turistas a são Miguel?
JM – Acredito. Tem que se continuar o trabalho de base. As associações têm de organizar eventos para os jovens locais e manter junto destes jovens a motivação necessária para se trabalhar a sua técnica, a criatividade e competitividade para poderem vingar nos campeonatos nacionais, europeus e mesmo mundiais, claro.

CA – De facto, têm surgido algumas escolas de surf em São Miguel. Qual a sua opinião sobre a dinâmica que o surf está a ganhar nos Açores?
JM – Sendo proprietário de uma escola de surf no continente – a Surf Academia -, conheço a importância das escolas para os jovens, mas também a necessidade de haver boas infra-estruturas para as escolas mais experientes e profissionais.
São Miguel tem condições ideais para a aprendizagem de surf. As escolas de surf das principais praias devem ter apoios para continuar a sua actividade. Escolas como a do João Brilhante – surfista dos mais experientes e conhecedores da ilha, por exemplo, deviam ter um espaço para guardar o material e também a garantia que não pode surgir um número ilimitado de escolas no Verão, com demasiadas pessoas, porque isso afecta a qualidade e segurança das aulas, tal como a experiência dos surfistas que já fazem surf há muito tempo. Mesmo no Continente, estas situações ainda não estão legisladas, de maneira que bom senso e comunicação entre os agentes de turismo, treinadores de surf e autoridades é o mais importante. As praias e as ondas têm uma capacidade limite de surfistas e não faz mal nenhum – antes pelo contrário, se já existe uma ou duas escolas numa praia, as outras irem para outra praia.

CA – Que conselhos dá a um jovem que se vai iniciar no surf?
JM – Divirtam-se! Amem o mar e as ondas e, a partir daí, todo o resto flui!

CA – Acredita que pode ser viável uma escola para ensinar turistas a surfar em São Miguel?
JM – Sem qualquer tipo de dúvida, mas as escolas têm que ser integradas com a comunidade local de surf e têm que respeitar a capacidade das praias. O turismo é muito positivo para a ilha, mas se mal gerido, pode estragar a experiência mágica do surf, não só para os turistas, mas também para os surfistas, como eu, que somos apaixonados pelas ondas e sabemos as “boas maneiras” para se estar e conviver dentro do mar.

CA – E o João de Macedo? O que se segue na sua carreira? Quais as suas ambições?
JM – Continuo a estar muito ligado ao projecto EDP Mar Sem Fim e as suas expedições aos Açores. Este projecto vai apoiar com o maior dos empenhos o surf de ondas grandes em Portugal. O meu trabalho com os meus sócios, na minha empresa Surf Academia é muito importante para o meu futuro em Portugal este ano e no próximo. Finalmente mantenho também um olho para em 2016/2017 ter uma campanha para me requalificar para o Mundial de Ondas Grandes e realmente o mais importante – muito inspirado pelo exemplo da família Garoupa, tenho ambição de ser um bom pai e transmitir ao meu filho o melhor possível esta paixão pelo mar e as ondas.

Fonte: Correio dos Açores

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