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Pescadores dos Açores em New Bedford enfrentam dias difíceis

Pescadores dos Açores em New Bedford enfrentam dias difíceis

Em New Bedford, costa leste dos Estados Unidos, opera um barco de pesca chamado “Vila Nova do Corvo”.

Um olhar mais atento identifica outros navios com nomes peculiares: lá estão o São Miguel, o Santa Maria ou o Santa Isabel.

São marcas da presença portuguesa, maioritariamente açoriana, num dos maiores portos de pesca da América do Norte, desde os tempos da baleação.

Velhos pescadores à beira da reforma, confirma David Martins, biólogo de origem açoriana, empenhado em estudar a comunidade piscatória portuguesa de New Bedford.

David, que trabalhou como observador a bordo de traineiras açorianas ao serviço do Departamento de Ocenaografia e Pescas da Universidade dos Açores, conhece os pescadores pelos seus nomes e descreve-lhes o estado de alma.

“Eles falam dos tempos passados de uma forma romântica porque antigamente tudo era mais fácil: a pesca era menos regulada e as despesas eram menores”, afirma numa entrevista, via Skype, ao Acores.rtp.pt.

Segundo este descendente de açorianos – o pai é natural da Relva, a mãe de Santo António, ilha de São Miguel – o preço crescente dos combustíveis e a cada vez mais apertada legislação das pescas desmotivam os velhos pescadores portugueses de New Bedford, que aconselham os filhos a procurarem outras profissões.

David Martins e a cientista social Patrícia da Silva estão a recolher depoimentos de quinze pescadores portugueses em New Bedford com o objetivo de estudar “os impactos sociais das políticas de pesca nas comunidades pesqueiras”.

De acordo com Patrícia da Silva, ” o acesso à pesca é hoje limitado.São necessárias licenças, quotas e muito dinheiro”.

Os dois cientistas acreditam que quando o seu trabalho, financiado pela NOAA, a agência americana para os oceanos e a meteorologia, estiver concluído “as pessoas vão olhar para os pescadores com outros olhos”.

O certo é que, também na América, a vida dos pescadores deixou de ser apenas uma luta com a natureza para ser também uma permanente disputa com as leis e regulamentos.anos

Carlos Rafael, armador originário da ilha do Corvo, foi notícia em finais do ano passado por ter sido vítima da burocracia.

Orgulhoso, o armador descarregou em New Bedford um grande atum e acabou incomodado pelas autoridades costeiras porque lhe faltava uma autorização para a pesca daquela espécie. O assunto foi notícia nos jornais e nas televisões americanas e Carlos Rafael perdeu milhares de dólares, livrando-se de males maiores por condescendência das autoridades.

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