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Ribeiro Pinto diz que construção de ferries para os Açores deveria ter envolvido estudo prévio

Ribeiro Pinto diz que construção de ferries para os Açores deveria ter envolvido estudo prévio

O especialista em transportes marítimos Ribeiro Pinto defendeu hoje que a construção dos dois ferries que os Açores aguardam deveria ter sido precedida de um estudo de viabilidade e envolver todos os parceiros do setor.

Durante 23 anos funcionário da administração portuária regional, Ribeiro Pinto foi hoje ouvido na comissão parlamentar de inquérito ao transporte marítimo nos Açores, criada para analisar investimentos públicos e na sequência de vários acidentes com rebentamentos de cabeços nos portos da Madalena, Horta e São Roque do Pico.

No caso de São Roque do Pico, o rebentamento do cabeço causou mesmo a morte de um passageiro.

No âmbito dos trabalhos parlamentares, que estão a decorrer na Madalena do Pico, Ribeiro Pinto considerou que “só vale a pena comprar dois navios que custam tão caro” se for determinado antes que tipo de carga deve ser envolvida e se participarem neste processo os parceiros marítimos públicos e privados e as empresas de estiva.

O Governo dos Açores anunciou em novembro de 2014 que autorizou a repetição do concurso internacional da empresa pública Atlânticoline para a construção de dois barcos com capacidade para 650 passageiros, visando as ligações dentro do arquipélago, no valor de 85 milhões de euros.

O deputado socialista Miguel Costa referiu que existe um estudo de viabilidade sobre a construção dos dois novos navios para a região de transporte de passageiros e viaturas, de maio de 2015, encomendado à empresa Formar e Aconselhar, LDA.

Ribeiro Pinto referiu-se especificamente aos recentes navios que operam atualmente nas denominadas ilhas do Triângulo (Faial, Pico e São Jorge) e que estiveram envolvidos nos acidentes para afirmar que ninguém conhecia as embarcações devidamente – nem o Governo dos Açores, nem a Transmaçor, empresa pública detentora dos mesmos e entretanto fundida com a Atlânticoline – e quais as forças operacionais que comportavam, daí terem rebentado cabeços em diferentes portos dos Açores.

O especialista disse que o caso da construção dos novos ferries é “altamente alarmante e escandaloso” e que “rebentar com um cabeço num porto devia ter feito soar todas as campainhas” junto dos responsáveis pela empresa pública.

A comissão parlamentar de inquérito ouviu também o mestre da Transmaçor Luís Tavares, que opera com os navios do Triângulo, que declarou que os cabeços que rebentaram nos portos da Horta e da Madalena “não tinham capacidade nem estavam bem posicionados”.

O profissional, há 13 anos ao serviço da Transmaçor, cinco dos quais como mestre, considerou que o sistema de amarração que está certificado não era adequado para as águas açorianas onde opera, atendendo às suas características específicas.

Luís Tavares, que revelou que os cabos que vieram com o navio “Mestre Simão” se partiram quase todos numa semana, afirmou que os cabeços não tinham capacidade nem estavam bem posicionados.

O mestre disse ainda que não vai arriscar operar em dias de mau tempo, especialmente durante o inverno, por razões de segurança, justamente por não confiar nos cabeços.

Referindo-se ao caso específico do acidente da Madalena, afirmou que o rebentamento dos cabeços ocorreu por estarem mal localizados e indevidamente chumbados.

Sobre a compra dos novos navios da Transmaçor, considera que foram uma boa aposta, uma vez que se “passou de um Mini para um Ferrari” nas ligações do Triângulo.

Um dos outros convidados na comissão de inquérito ao transporte marítimo nos Açores foi o técnico da empresa de capitais públicos Portos dos Açores António Homem, que considerou que as causas dos acidentes foram uma “sobrecarga clara” dos equipamentos.

Foto: ©Miguel Nóia

Fonte: Açores 9

 

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