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Um possível naufrágio deixaria vítimas na água
A Transtejo está a proceder a uma alteração radical dos equipamentos de segurança instalados nas embarcações que diariamente transportam milhares de passageiros entre as duas margens do rio Tejo. A solução passa por substituir as balsas pneumáticas por balsas rígidas.
Ou seja, em caso de naufrágio, os passageiros deixam de permanecer dentro de uma balsa e passam a esperar sentados com as pernas dentro de água ou mesmo a flutuar, agarrados a uma espécie de bóia colectiva, até que sejam resgatados.
A mudança dos meios de socorro resulta de a Transtejo ter lançado, em Março de 2010, um concurso público para a aquisição de jangadas rígidas por 15 mil euros. Contactada pelo Correio da Manhã, a empresa pública de transporte fluvial no estuário do Tejo não possuía ontem todos os dados para explicar a necessidade deste concurso.
As jangadas rígidas levantam reservas quando à segurança dos passageiros, alerta o Sindicato de Mestrança e Marinhagem da Marinha Mercante. O preço do material é contudo muito inferior às balsas pneumáticas existentes: cada balsa rígida custa em média 341 euros (capacidade para 12 pessoas) e 483 euros (capacidade para 20 pessoas). As pneumáticas, com capacidade para 100 passageiros, custam mais de quatro mil euros.
Segundo apurou o CM, a Transtejo pode ainda reduzir os custos, pois, ao contrário dos equipamentos pneumáticos, as balsas rígidas não precisam de inspecções nem de testes com regularidade.
O uso destas jangadas rígidas pode porém vir a ser proibido já no decorrer deste ano, caso venha a ser aplicada a nova legislação da Convenção Marítima Mundial.
Também a União Europeia olha com algumas reservas para este tipo de meio de socorro, e, até 2015, deverá ser criada uma directiva que obrigue à utilização das balsas pneumáticas.
ESTUÁRIO DO TEJO NÃO AFASTA RISCO DE HIPOTERMIA
A dimensão do estuário do Tejo, que em alguns locais atinge os 15 quilómetros de largo, a ocorrência de nevoeiro e fortes correntes são razões que levam os tripulantes dos ferries a temer o risco de hipotermia de náufragos que permaneçam mais de meia hora no rio Tejo.
A temperatura da água no Inverno não ultrapassa os dez graus e de Verão chega aos 17 graus. Perante o frio, os passageiros podem largar a jangada e ser levados pela corrente, em direcção ao mar.
ALEXANDRE DELGADO, Secretário-geral do Sindicato da Mestrança e Marinhagem, sobre o uso de jangadas na Transtejo
“SEGURANÇA EM CAUSA”
Correio da Manhã – Considera que há riscos acrescidos para passageiros e tripulantes da Transtejo perante o socorro feito em jangadas rígidas?
Alexandre Delgado – A substituição das balsas pneumáticas por rígidas, mesmo que seja justificada por questões económicas, descura a segurança de passageiros e tripulantes.
– Para os tripulantes será complicado colocar as pessoas dentro de água?
– É impossível. Como vai dizer a uma pessoa que não sabe nadar que terá de estar dentro de água. Haverá luta entre passageiros para se agarrarem às jangadas.
– Estas jangadas são recomendadas para o rio Tejo?
– Os construtores dos navios não recomendaram estas jangadas, tanto que foram equipados com balsas pneumáticas. Estes equipamentos são propriedade da Transtejo é preciso que a empresa explique o que vai fazer com eles.
– Mesmo do ponto de vista de redução de custos de inspecções, estranha a compra de no-vo material?
– Os sindicatos acham tudo isto muito estranho. Não entendemos a necessidade de comprar 15 mil euros de jangadas quando já existiam balsas.
– Foram ouvidos nesta solução?
– Não
Fonte: Correio da Manhã







