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Equipa do Centro de Ciência do Mar do Algarve sequencia genoma do robalo

Equipa do Centro de Ciência do Mar do Algarve sequencia genoma do robalo

Uma equipa de investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve sequenciou o genoma do robalo, num estudo que pode ajudar a melhorar a produção desta espécie de peixe em aquacultura, explicou um investigador.

Adelino Canário integrou a equipa internacional que trabalhou durante vários anos com este objetivo e disse hoje à Lusa que a sequenciação do genoma do robalo, investigação já publicada numa revista científica, permite melhorar os fatores de produção da espécie em aquacultura, mas também conhecer a sua história ou como as alterações climáticas a afetam.

O investigador do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) Universidade do Algarve explicou que o trabalho foi realizado com o robalo porque “é uma das espécies importantes para a aquacultura no sul da Europa” e as conclusões da investigação fornecem aos investigadores “uma série de informação que permite desenvolver tecnologias para aumentar a produção”.

“Aquilo que demoraria dezenas de anos, agora pode ser acelerado e feito em tempos mais curtos”, afirmou Adelino Canário, frisando que o robalo só se começa a reproduzir ao fim de dois/três anos e a informação pode ajudar a conseguir um “crescimento mais rápido”.

O investigador apontou o exemplo do salmão, que disse ser “uma das espécies em que a sequenciação do genoma foi feita e o seu crescimento tem quase duplicado nas últimas três décadas” ao ser produzido em aquacultura.

“Isso significa ciclos de vida mais curtos, porque podem crescer em menos tempo, e isso poupa água nas pisciculturas ou na alimentação, porque se podem desenvolver métodos mais eficientes” para ganharem peso, precisou.

A mesma fonte acrescentou que, atualmente, para produzir um quilograma de salmão “são necessários cerca de quatro quilos de farinha e óleo de peixe” e “estes valores têm-se vindo a reduzir”, mas “já chegaram a ser oito quilos”.

“Agora podemos começar a fazer esse tipo de desenvolvimento no robalo de forma mais eficiente”, reiterou.

O estudo foi feito pelo CCMAR em conjunto com investigadores dos Institutos Max Planck de Biologia Molecular de Berlim e do Centro de Genómica de Colónia, ambos na Alemanha, e da Universidade de Montpellier, em França.

A investigação permitiu identificar “800 milhões de pares de nucleótidos (as unidades mais simples do ADN), cerca de um quarto do genoma humano, distribuídos por 24 cromossomas”, referiu o CCMAR no comunicado em que anunciou as conclusões da investigação.

“O número total de genes foi estimado em 31.500, cerca de 30% mais do que o genoma humano”, provavelmente, pensam os investigadores, porque “durante a sua evolução os peixes teleósteos, como o robalo, tiveram mais uma duplicação global do seu genoma do que a linha de vertebrados terrestres que conduziu aos mamíferos e à espécie humana”.

Fonte: Diário Online Algarve / Lusa

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