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Fausto Brito e Abreu // “Vários investidores privados” já manifestaram interesse em desenvolver projectos de aquacultura nos Açores

Fausto Brito e Abreu // “Vários investidores privados” já manifestaram interesse em desenvolver projectos de aquacultura nos Açores

“Sim, há interesse de vários investidores privados”, confirmou o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia. Fausto Brito e Abreu que, para além de alguns “empreendedores regionais que até já anunciaram publicamente interesse em investir no sector”, também investidores “nacionais” e “estrangeiros” que estão interessados em desenvolver projectos de aquacultura nos Açores. “Tem aparecido muitas ideias”, acrescenta o governante, sublinhando que actualmente, os Açores têm “um quadro legal, que já permite o licenciamento destes projectos” e que estão a ser dados passos “para tornar ainda mais atraente a região”. Recorda que “houve um pacote de benefícios fiscais, lançado há uns meses para atrair mais empresas de aquacultura”.
Desde 21 de Junho que a Direcção Regional das Pescas é a entidade “mandatada pelo Conselho de Governo para poder estabelecer parcerias para o desenvolvimento do sector na Região”. A decisão foi anunciada no último Conselho de Governo, na Graciosa, que definiu como áreas prioritárias: “Ensaios para os primeiros estados de desenvolvimento de espécies passíveis de engorda offshore; Ensaios para engorda de espécies com potencial de mercado; Ensaios offshore para repovoamento e reposição de stoks de espécies demersais de elevado valor comercial e Ensaios para a cultura de espécies com aplicações biotecnológicas”.
Dos interesses já manifestados confirma que são projectos tanto em terra como no mar, “há uma combinação”. Também “há projectos de aquacultura totalmente em terra, para produção de algumas espécies em sistemas fechados”, incluindo espécies, por exemplo, de peixes de água-doce”. Realça que a geotermia pode ser uma mais-valia para este tipo de projectos: “Para a produção de algumas culturas em água-doce – espécies que os países nórdicos gostam muito de produzir mas que lá é caro por causa do frio e ele têm que ter águas quentinhas – aqui nós podemos compensar a distância e o custo do transporte com a poupança em custos energéticos”.

 

“No mar não será autorizada” a introdução de espécies exóticas

Adianta que, apesar da “postura forte de tentar evitar trazer espécies exóticas para os Açores”, no caso de estruturas em terra, “em sistemas totalmente fechados”, o Executivo poderá “ponderar isso”. No entanto, garante que “seguramente no mar não será autorizado” introdução de espécies exóticas.
Quanto ao desenvolvimento da aquacultura no mar, o Secretário Regional adianta que “têm sido propostos” projectos só no mar – “offshore – portanto a ideia de ter jaulas no mar em que se põem lá peixes já de um tamanho razoável e depois engordam-se nesses locais” mas também instalações em terra e no mar, “projectos para ter em terra tanques e produzir larvas que podem ser depois postas em jaulas offshore”. Aliás, conta que no caso da produção de larvas, também é possível que sejam “vendidas como larvas de peixe produzido nos Açores, num eco-sistema que não tem parasitas, tem boas condições ecológicas e depois são vendidas como larvas a preço muito elevado para outras aquaculturas. Tudo isto já apareceu como propostas em várias conversas”. Por fim, revela que também “há interesse em projectos de aquacultura de algas, há interesse em aquacultura de equinodermes, portanto, ouriços-do mar, pepinos do mar…”

 

Universidade e Pescadores chamados para participar nos projectos

Fausto Brito e Abreu também adiantou ao Correio dos Açores que “a todos os interessados que se têm aproximado do Governo, o Governo tem tentado fazer a parceria entre esses investidores, a Universidade dos Açores e os cientistas dos centros de investigação que têm conhecimento sobre essa matéria nos Açores, e as Associações de Pescadores das comunidade ou das ilhas onde isto se desenvolve para poderem dar apoio na mão-de-obra, porque não é qualquer pessoa que trabalha com peixe ou que trabalha no mar”.
Realça: “As comunidades piscatórias têm um principal interesse em avançar por esta via. Até a aquacultura tem outra dimensão que as pessoas não pensam mas, por exemplo, nós nos Açores importamos isco vivo, sardinha e importamos até minhoca para a pesca lúdica e, portanto, poder produzir algum do isco em aquacultura torna-se a economia mais auto-suficiente e há aqui outro potencial interessante”. O Secretário Regional do Mar Fausto Brito e Abreu está confiante que este é o ano em que, com os investimentos lançados, a aquacultura terá “um arranque definitivo nos Açores”.

 

Já podem ser apresentados projectos de inovação em aquicultura

Foi ontem publicado em Jornal Oficial da Região Autónoma dos Açores a portaria que regulamenta o regime de apoio à inovação em aquacultura: “A portaria publicada é o primeiro passo da mobilização de fundos comunitários do programa operacional Mar 2020”. Fausto Brito e Abreu explicou que nesta primeira fase estão abrangidos projectos de inovação que pretendem “potenciar o desenvolvimento tecnológico, a inovação, a redução do impacte da actividade no ambiente e a transferência de conhecimentos”, “melhorar as competências, o desempenho e a competitividade das empresas aquícolas”.
Sobre as próximas duas fases adiantou: “Mais tarde virá uma segunda tranche, maior, para os chamados investimentos produtivos em aquicultura em que as empresas desenvolvem já produções de escala comercial, podendo-se apresentar projectos maiores, estando o valor ainda por definir, mas pensamos que poderá ser cerca de 400 mil euros por projecto”.

Fonte: Correio dos Açores

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