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Início da operação de avião cargueiro nos Açores adiado por mais 30 dias

Início da operação de avião cargueiro nos Açores adiado por mais 30 dias

Comerciantes de pescado lamentam adiamento e criticam silêncio do Governo e partidos

O início da operação do avião cargueiro do consórcio Madeira Air Integrated Solutions (MAIS), que estava previsto para hoje, foi adiado até pelo menos Agosto, avançou ontem aquela entidade.

Em causa, segundo alega o consórcio, estão “constrangimentos operacionais e económicos” levantados pelo agente de ‘handling’ do aeroporto de Ponta Delgada, que é a SATA.

“O consórcio MAIS acaba de anunciar que a data de 3 de Julho, inicialmente referida para o início da operação de carga aérea entre o continente e os Açores, foi adiada em, pelo menos 30 dias, por não ter sido possível, até hoje, encontrar uma solução para os vários constrangimentos operacionais e económicos levantados pelo agente de ‘handling’ do aeroporto de Ponta Delgada”, refere uma nota do consórcio, formado pela companhia aérea espanhola Swiftair, a ALS e a empresa logística Madeirense Loginsular.

A entrada em funções deste avião cargueiro tem sido uma reivindicação há muito desejada pelas empresas exportadoras dos Açores, em especial do sector das pescas.

A Associação de Comerciantes do Pescado dos Açores (ACPA) reagiu ao anúncio feito pelo consórcio MAIS e lamentou a “suspensão do projecto”, que considera ser um “revés” para a exportação na região.

“Lamentámos o facto de se ter chegado a uma situação que leva à suspensão deste projecto. Isto é um revés para o mercado da exportação dos Açores. Vemos com alguma preocupação esta situação”, disse o secretário-geral da ACPA, em declarações ao Diário dos Açores.

Para Pedro Melo, “o facto de uma empresa pública, que é a única que está no mercado, estar a criar dificuldades para o arranque desta operação parece-nos extremamente mau”.

“Não queremos acreditar que a empresa de ‘handling’ que opera na Região, que é uma empresa de capitais inteiramente públicos, possa estar aqui a criar constrangimentos operacionais e económicos, inviabilizando a solução para um problema que temos para o transporte de carga aérea para o exterior da Região. Lamentamos se assim o é”, acrescentou.

O responsável frisou que a operação em causa “não traria custos nenhuns para a Região e não viria atrás de subsidiação”.

Segundo Pedro Melo, o consórcio MAIS está a “oferecer uma solução” à Região, algo que “até ao momento mais ninguém fez”, pelo que o Governo Regional devia “acarinhar iniciativas privadas desta natureza”.

O secretário-geral da ACPA criticou ainda o “silêncio” envolvido em todo o processo.

“Sem surpresas para nós é o silêncio que envolveu todo este processo. Não houve opiniões por parte do Governo Regional, da Secretaria que lida com as Pescas, ou por parte dos próprios partidos da oposição. Não vimos ninguém, a não ser a Associação de Comerciantes e a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, a demonstrar o seu contentamento com o início da operação do cargueiro”, considerou.

De acordo com Pedro Melo, em causa estão os “superiores interesses da Região Autónoma dos Açores” e apela ao “bom senso” para que “não se deixe cair” a vinda do cargueiro do consórcio MAIS para os Açores.

“É do interesse de todos que não se deixe cair esta solução, sob pena de qualquer outra solução levar no mínimo seis a nove meses. Se partirmos para um novo concurso, ficamos aqui com um tempo de espera de cerca de nove meses, no mínimo”, alertou ainda o responsável.

Recorde-se que, anteriormente, foram abertos dois concursos públicos de carga aérea para região, lançados pelo Governo da República: o primeiro não teve concorrentes e o segundo acabou cancelado, uma vez que a única empresa concorrente não cumpria alegadamente o caderno de encargos.

O consórcio “tem manifestado o interesse em replicar a actual operação regular que opera para a Madeira, de um voo cargueiro, para o aeroporto de Ponta Delgada”, segundo avançou no mesmo comunicado, sublinhando que tal representará uma mais-valia para a economia regional e advogando “que o envolvimento de várias instituições regionais, interessadas no arranque da operação, é um forte contributo para a sua concretização a curto prazo”.

Fonte: Correio dos Açores

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