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“O aquário de Ponta Delgada vai ser um orgulho para os Açores”

“O aquário de Ponta Delgada vai ser um orgulho para os Açores”

João Correia, há 10 anos fundador e gerente da empresa ‘Flying Sharks’, com instalações no Faial, que exporta várias espécies de peixes ornamentais dos mares dos Açores para vários aquários internacionais da Europa à América e da Austrália ao Dubay, garante ao ‘Correio dos Açores’ que o aquário projectado para Ponta Delgada “é um motivo de orgulho para os Açores. Temos estado a acompanhar o processo e vamos conversando com os responsáveis. Estamos muito contentes porque aquele vai ser um aquário com uma grande preocupação com questões ambientais, de educação e conservação. Só por haver esta preocupação, é que vamos trabalhar com eles”, afirmou João Correia.

Correio dos Açores – Qual a sua opinião sobre a existência de um aquário em Ponta Delgada?
João Correia (fundador e gerente da Flying Sharks) – Eu diria que, se for um aquário muito dedicado à conservação e a educação, com uma enorme preocupação com bem-estar ambiental e bem-estar dos animais, entendo que é uma excelente ideia. A construção de um aquário justifica-se se for, de facto, para promover a conservação do ambiente marinho e a educação da população.

CA – Como interpreta algumas críticas que têm surgido à construção deste aquário?
Eu entendo-as. Hoje em dia há muita contestação relativamente à manutenção de animais em cativeiro. Eu respeito isso e, honestamente, eu concordo com essas posições. Apesar de estar neste negócio, não há nada que me doa mais na alma do que ver um animal em cativeiro em más condições.
JC – Agora, posso-lhe dizer que as pessoas que trabalham em aquários e em jardins zoológicos fazem tudo, tudo, não só para garantir o bem-estar dos animais que têm, mas também para garantir que toda a gente neste negócio zele pelo mesmo. E quando há uma instituição que não seja assim, e há muitas, (vamos ser pragmáticos), há muitas instituições zoológicas que não tratam devidamente os seus animais. E nós somos os primeiros a pedir o encerramento destas instituições. Digamos que defendemo-nos uns aos outros desde que as coisas sejam bem-feitas.

CA – No caso do aquário de Ponta Delgada nota sensibilidade para a conservação adequada dos animais?
JC –Não tenho qualquer dúvida. Aliás, nós estamos a trabalhar com eles precisamente para ajudar neste ponto. Queremos ajudar no projecto, garantindo que os animais vão ser mantidos com altíssima qualidade, com o melhor que há de técnicas de manutenção de animais marinhos em cativeiro. E queremos também garantir que há uma ligação forte à comunidade académica, que vai haver investigação e que vai ser, basicamente, um centro de educação muito importante nos Açores. Queremos também garantir que o aquário seja também uma montra muito interessante da biodiversidade extraordinária que há nos Açores. Mas tudo isto, mais uma vez, muito bem feito. Este é o principal motivo porque estamos envolvidos neste aquário.

CA – Acredita que, com a vossa empresa envolvida no projecto, vamos ter um aquário de alta qualidade em Ponta Delgada?
JC –Claro que sim. Não é só porque a ‘Flying Shark’ está envolvida no aquário. Os que estão à frente do projecto são qualificados e têm sabido rodear-se de pessoas também muito qualificadas. Nós temos um bom contributo para dar e bons conselhos a dar. Vamos, de facto, ajudar o projecto a ser um motivo de orgulho para os Açores.
E mais uma vez, eu respeito perfeitamente a opinião das pessoas que põem em causa situações de animais em cativeiro porque eu próprio, e os meus colegas, somos os primeiros a apontar o dedo quando vemos um jardim zoológico ou um aquário onde os animais são mantidos em más condições. Somos os primeiros a denunciar e a pedir o encerramento.

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A ‘Flying Shark’, segundo João Correia, vai ser ainda este ano o principal parceiro de um grande aquário dedicado a tubarões na Alemanha que se vai chamar ‘Shark’. “Vamos fornecer-lhes tubarões dos mares dos Açores e do continente”, explicou.
João Correia elucidou ainda o jornalista do ‘Correio dos Açores’ que, neste momento, a empresa está a trabalhar em dois projectos na Região. Um de apanha e preparação de ‘peixes pilotos’ (aqueles peixes que andam sempre a nadar atrás de tubarões e que são muito difíceis de apanhar) e que já têm destino: um aquário no Dubai. E o outro, de apanha de peixes ‘andorinhas’ que se encontram a 50 metros de profundidade e obrigam a grandes mergulhos. As ‘andorinhas’ vão ser devidamente condicionados para irem para um aquário no Japão.
“São todos peixes pequenos ornamentais. Estamos a falar sempre de uma dúzia e pouco mais de animais. Trabalhamos com números muito pequenos. Os animais são vendidos por um valor razoável porque é complicado apanhá-los. Mas o número de animais é muito baixo. Normalmente, são encomendas de 30 a 40 peixes”, palavras de João Correia.
Quando questionado sobre qual a encomenda maior de peixes que teve, João Correia regressa a 2010, ano em que exportou dois aviões de peixes para a Turquia. Aconteceu em Dezembro de 2010, altura em que a empresa começou a trabalhar nos Açores. “Foram dois aviões de carga carregadinhos com 44 tanques com cerca de 3.100 peixes e dois mil foram dos Açores, sobretudo do Faial e de São Miguel”, recordou João Correia.

Fonte: Correio dos Açores

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