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Observatório do Atlântico nos Açores proposto pela Comissão Europeia tem o envolvimento dos EUA e Canadá

Observatório do Atlântico nos Açores proposto pela Comissão Europeia tem o envolvimento dos EUA e Canadá

O Director Geral dos Assuntos do Mar da União Europeia, João Aguiar Machado, reafirmou à RTP/A o empenho da Comissão Europeia na criação de um Observatório do Atlântico com sede no Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores.
João Aguiar Machado deixou claro que a Comissão Europeia “já tem a cooperação transatlântica com os Estados Unidos e Canadá”, que se desenvolverá no quadro deste observatório, e está em contactos com países do Atlântico Sul como o Brasil e África do Sul. “A prazo, o objectivo que temos é alargar” o âmbito deste laboratório “a todo o atlântico”.
Estas declarações repetidas nos Açores por João Aguiar Machado surgem numa altura em que, numa posição comum, os governos de Portugal e dos Açores, decidiram  rever a Lei de Bases do Ordenamento e Gestão do Espaço Marítimo em Portugal, clarificando o conceito de gestão partilhada, voltando a atribuir aos Açores poderes que a lei, elaborada quando Pedro Passos Coelho era Primeiro Ministro, tinham sido retirados à Região.

 

Objectivo da Comissão Europeia é o envolvimento de todos os países do Atlântico

João Aguiar Machado já tinha anunciado em ‘Primeira Mão’ ao ‘Correio dos Açores’ no início de Fevereiro deste ano a criação, nos Açores, de um Observatório para o Atlântico, “resultante da sua natural posição geográfica e da riqueza da sua biodiversidade marinha”.
Segundo o Director Geral, já existia no início deste ano “uma produção de conhecimento muito importante e internacionalmente reconhecida”, decorrente da atividade do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores. Além disso, prosseguiu, “neste momento, existem iniciativas complementares, concretamente no âmbito da cooperação transatlântica entre a União Europeia, os Estados Unidos e o Canadá”.
A nível europeu, no contexto da EMODNET (European Marine Observatory Data Network), “coopera-se, em permanência, no âmbito da recolha de dados, garantindo-se a acessibilidade da informação ao público em geral, aos agentes económicos e a todos os parceiros interessados. Devo mencionar, neste contexto, que, para o período compreendido entre 2015 e 2020, esta rede europeia encontra-se a desenvolver um trabalho no sentido de se providenciar um mapeamento dos fundos marinhos, com vista a permitir aprofundar a nossa compreensão em domínios como a topografia, a geologia, os ‘habitats’ e os ecossistemas. Esta iniciativa disponibilizará igualmente informações atualizadas sobre o estado físico, químico e biológico da coluna de água, bem como previsões oceanográficas”, revelou João Aguiar Machado.
Quando questionado pelo jornalista do ‘Correio dos Açores’ no início de Fevereiro deste ano, sobre se é realista considerar que os Açores têm as condições para desempenhar um papel primordial na promoção da investigação transatlântica, não só num eixo Este-Oeste, mas também numa perspetiva Norte-Sul, João Aguiar Machado respondeu que os serviços da Comissão (a Direção-Geral para a Investigação e Inovação) “já se encontram a desenvolver um trabalho com países como o Brasil e a África do Sul no sentido de se iniciar esta cooperação”.
“Os Açores estão historicamente e culturalmente bem posicionados para desempenhar um papel de relevo nessa cooperação. Para além disso, o contributo científico do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores afigura-se central neste contexto”, realçou, em Fevereiro deste ano João Aguiar Machado ao ‘Correio dos Açores’
Realçou, a propósito, que o programa europeu de incentivo à inovação, denominado “Horizonte 2020”, proporciona um enquadramento financeiro adaptado à prossecução dos objetivos relacionados com a investigação aplicada.
Como explicou o Director Geral ao ‘Correio dos Açores, a Comissão Europeia “está a concretizar uma agenda vasta de «crescimento azul», ou seja das atividades económicas relacionadas com o mar, que se reveste de especial importância para as regiões ultraperiféricas. Neste contexto, identificou uma série de domínios com maior potencial de crescimento e de importância para os Açores”.
“Os Açores possuem vantagens naturais evidentes no domínio da economia marítima, em comparação com outras zonas costeiras do Atlântico: a biodiversidade e os ecossistemas marinhos e a riqueza do património natural marinho. Além disso, os Açores apresentam perspetivas de desenvolvimento sócio-económico em áreas tais como a biotecnologia, a aquicultura, o transporte marítimo, o turismo costeiro, as energias renováveis e os recursos minerais do mar profundo”, sublinhou João Aguiar Machado.
Reforçou que, no mar profundo dos Açores, encontram-se “alguns dos mais complexos e menos conhecidos ecossistemas do planeta. No subsolo marinho, por sua vez, situam-se novos recursos genéticos, incluindo bactérias, enzimas e proteínas, com potencial significativo para o desenvolvimento da chamada «biotecnologia azul». Torna-se importante investir no sector da biotecnologia azul e explorar as propriedades de organismos que vivem em águas profundas, a fim de desenvolver novos produtos para a alimentação, saúde, cosmética, setor químico, produção de biomateriais e indústria de biocombustíveis”, completou.
Realçou que a área em redor dos Açores “possui potencial para a exploração mineira, nomeadamente sulfetos polimetálicos. Mas é importante assegurar que o impacto ambiental da exploração mineira dos fundos marinhos seja limitado e devidamente enquadrado, de modo a preservar os necessários equilíbrios entre as necessidades de crescimento económico e a preservação dos recursos marinhos.”
“De igual forma, o meio oceânico dos Açores apresenta um elevado potencial energético, nomeadamente no que respeita à energia das ondas e à energia eólica”, concluiu.
Nesta mesma entrevista ao ‘Correio dos Açores’, João Aguiar Machado salientou que a rede de zonas marinhas protegidas dos Açores representa “um bom exemplo, uma inspiração mesmo, para a criação de zonas protegidas no Atlântico”. Neste quadro, anunciou que a Comissão Europeia irá lançar, nos próximos meses, “um estudo sobre o potencial das áreas marinhas protegidas. A título de exemplo, no mar profundo dos Açores encontram-se alguns dos mais complexos e menos conhecidos ecossistemas do planeta. Em todo o caso, há que ter em conta que o estabelecimento de tais zonas pressupõe um trabalho prévio de adequada fundamentação científica. Além disso, é necessário tomar em consideração a compatibilização de tais medidas de conservação com os usos legítimos dos recursos marinhos reconhecidos
O director Geral, João Aguiar Machado, anunciou, entretanto, uma visita do Comissário do Ambiente, Assuntos Marítimos e Pesca,  Karmenu Vella aos Açores entre os dias a 24 de Junho.

Fonte: Correio dos Açores

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