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Radar norte-americano instalado na Terceira está “fora de serviço” para a meteorologia dos Açores

Radar norte-americano instalado na Terceira está “fora de serviço” para a meteorologia dos Açores

“Estamos a fazer previsão um pouco às cegas”, desabafa Diamantino Henriques, responsável pela Delegação dos Açores do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), confirmando que a Região continua sem acesso aos dados do único radar meteorológico existente no arquipélago. “Já há alguns meses que está fora de serviço”, afirma. “Comunicamos com o radar e ele está fora de serviço”.

O IPMA deixou de ter acesso ao radar que está instalado em Santa Bárbara, na ilha Terceira, e que é propriedade da Força Aérea norte-americana. Antes, os meteorologistas dos Açores podiam aceder aos dados do equipamento norte-americano, através de um protocolo de colaboração que estabelecido entre o IPMA e a Força Aérea americana.

A informação era disponibilizada directamente através do radar, ou seja, a partir de uma linha que estava directamente ligada e que era paga pelo Instituto do Mar e da Atmosfera. Esse protocolo estabelecido há quase dez anos era renovado automaticamente. Qualquer alteração ao mesmo pressuponha um aviso prévio de, pelo menos três ou quatro meses.

Desde que ficou sem acesso aos dados, o IPMA já tentou perceber o que se passa. Para ver se consegue resolver a situação, recorrer a outras entidades, nomeadamente a Força Aérea Portuguesa: “Tem havido algumas tentativas por parte da Força Aérea Portuguesa de os contactar [militares norte-americanos] e de ver se realmente se resolve o problema”. Até ao momento, “não tem tido sucesso” e a região continua sem cobertura.

“São poucas as regiões da Europa que não têm cobertura do radar”, adianta Diamantino Henriques, confirmando até que só as duas regiões autónomas de Portugal é que não têm cobertura, em todo o espaço europeu. Apesar das estações meteorológicas que existem, por exemplo, em São Miguel, Diamantino Henriques avisa que não é a mesma coisa: “a distribuição da precipitação nas ilhas é bastante irregular e um radar tem muitíssimo mais resolução que qualquer rede meteorológica que se consiga imaginar”.

Mesmo em relação ao satélite é importante esclarecer as diferenças: “o satélite pode dar informação sobre as nuvens que podem e que costumam dar chuva, pode dar essa informação, nem sempre. O radar dá-nos mesmo a informação sobre a chuva que está a cair”. Através do radar é também possível ter a informação espacial mais rigorosa e a resolução temporal é mais actualizada.

Fonte: Correio dos Açores

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