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Atuneiros madeirenses e açorianos reclamam falta de colaboração no porto do Caniçal na Madeira

Atuneiros madeirenses e açorianos reclamam falta de colaboração no porto do Caniçal na Madeira

A safra de atum na Madeira arrancou, para muitos pescadores madeirenses e açorianos, nos primeiros dias de Abril. No entanto, e mesmo com ainda pouco tempo de pesca, os responsáveis por algumas embarcações de captura de atum voltam a sentir os mesmos problemas dos anos anteriores.

Mestre do barco açoriano ‘Ponta do Espartel’, Emanuel Jorge iniciou já no dia 28 de Março a safra de atum, e revelou ao ‘JM’ da Madeira que, apesar de o peixe capturado ainda não ser em grandes volumes, as dificuldades em o descarregar na lota do Caniçal permanecem.
O pescador revelou que “se o barco não tiver o contrato realizado, a lota não deixa que descarreguemos o peixe”, e prosseguiu afirmando que “é necessário avisar, com 24 horas de antecedência, que temos peixe para descarregar, e muitas vezes ainda estamos no mar”, adiantou.
Emanuel Jorge avançou ainda que, quando o barco chega ao porto do Caniçal, depois das 18 horas, já não consegue descarregar, porque os responsáveis pela elaboração dos contratos entre a lota e o comprador final do peixe já não se encontram a trabalhar. Descontente com a situação, o responsável pela embarcação ‘Ponta do Espartel’ assegurou que a tripulação é “obrigada a ficar em terra à espera para descarregar”, enquanto que já podiam estar novamente a navegar pelos mares da Madeira.
Apesar de pertencer a uma embarcação diferente, o mestre José Nunes também partilha da mesma opinião que o colega de safra. Coincidência ou não, o responsável pelo barco ‘Condor’ revelou ao ‘JM’ que estava, desde o final do dia de segunda-feira, à espera para poder descarregar o atum que a tripulação a seu cargo capturou durante o domingo de Páscoa.
A situação teve origem, segundo José Nunes, no atraso do contrato. Ainda na segunda-feira tinha sido enviado dos Açores para a Madeira, mas a chefe da lota, durante a manhã ontem (anteontem), ainda não o tinha recebido, revelou o pescador.
José Nunes também demonstrou o seu descontentamento face às burocracias que cada vez mais assolam o sector. Actualmente é exigido que as embarcações de pesca madeirenses tenham marinheiros a bordo. Caso não hajam, as embarcações não podem ir para o mar.
O mestre do Condor afirmou que sempre foi permitido que, quem tivesse cédula marítima, podia fazer parte da faina do atum na Madeira. No entanto, revelou que “agora exigiram que os pescadores fossem tirar uma formação para serem marinheiros-pescadores. Existem atuneiros que já estão na área há 20 e há 30 anos, e tiveram, ainda assim, de tirar essa formação, porque se não houver marinheiros, o barco não pode sair”, concluiu, com evidente desagrado, o pescador natural do Caniçal.

 

Safra de atum na Madeira está a ser proveitosa

A safra de atum, que ocorre sazonalmente entre Abril de Outubro, já começou por render nos primeiros dias de faina no Caniçal, algumas toneladas de peixe capturado.
A Secretaria Regional de Agricultura e Pescas da Madeira já anunciou publicamente que os pescadores de atum poderão capturar este ano cerca de 10 mil toneladas a mais que no ano anterior.
As espécies que sofreram alterações na quota foram o atum-voador-Norte, que registou um aumento de cerca de 20%, passando a ser permitido que as lotas madeirenses recebam até 33.600 toneladas da espécie. Mas também o atum-rabilho. Esta espécie de atum poderá, até 2020, atingir as 28 mil toneladas pescadas.
Apesar de ambas as qualidades de atum verem alargadas a base de captura, a quota do atum-patudo não sofreu, este ano, qualquer tipo de alteração face ao ano de 2017. A espécie permanece assim com uma quota de 65 mil toneladas.
O director regional das Pescas dos Açores, Luís Rodrigues, quando, no passado mês de Março, esteve na Madeira para uma reunião com Luís Ferreira, Diretor Regional das Pescas do Governo da Madeira, e com os representantes da Associação de Produtores de Atum e Similares dos Açores (APASA), afirmou que também cerca de 20 pescadores de atum açorianos farão parte das embarcações de pesca na Madeira, este ano.
Luís Rodrigues relembrou ainda que, em 2017, as embarcações açorianas que operam na Madeira, registaram o valor de 8,5 milhões de euros com a pesca do atum.
O protocolo realizado entre as duas regiões autónomas torna possível que pescadores da Madeira, assim que haja falta de atum nos mares da região, possam rumar aos Açores para continuar com a safra. O mesmo é valido para os atuneiros açorianos.

Foto: Pesca do Caniçal

Fonte: Jornal da Madeira /Correio dos Açores / Daniela Abreu / danieal.abreu@jm-madeira.pt

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