Social
Como a quota de pesca do goraz nos mares dos Açores caiu de 1.116 para 507 toneladas em 4 anos

Como a quota de pesca do goraz nos mares dos Açores caiu de 1.116 para 507 toneladas em 4 anos

Apesar da vitória alcançada pelo Governo dos Açores junto do ICAAT e da União Europeia de manter por mais dois anos o stock de goraz nas 507 toneladas, a verdade é que o potencial desta espécie nos bancos de pesca da Região há vários anos que dá sinais de que não tem a dimensão que permita grandes capturas da espécie.

E são estes sinais de um stock que, ao longo das últimas décadas, dificilmente atingiu as sete mil toneladas de capturas por ano, que levou, primeiro, os investigadores da Região e, depois, a Comissão Europeia, a reduzir a pesca a esta espécie. Por outras palavras, o problema é que a densidade de gorazes nos bancos de pesca tradicionais do mar dos Açores nunca foi, nas últimas décadas, muito significativa.
As estatísticas são a prova. Em 2013, a quota para a pesca do goraz definida pela Comissão Europeia, foi de 1.116 toneladas por ano. E, durante este ano, a frota pesqueira do goraz ficou longe da quota apesar do esforço de pesca ser muito maior.
Como consequência, no ano seguinte, em 2014, a Comissão Europeia baixou a quota do goraz nos mares da Região para 904 toneladas e, mesmo assim, a frota de pesca da espécie chegou ao fim do ano com uma pescaria aquém da quota.
E mesmo com este alerta de Bruxelas, a frota açoriana do goraz, apesar de aumentar o esforço de pesca para se aproximar das 900 toneladas com receio de perder mais quota, continuou a não chegar às 700 toneladas de pescarias.
A evolução das capturas, por três anos, demonstra aos investigadores açorianos e aos técnicos do Conselho das Pescas da União Europeia que o stock de gorazes existente nos bancos de pesca da Região não permitia maiores capturas. Tal facto significava, logicamente, que o stock da espécie estava em perigo e que a tendência natural era para, apesar de todo o esforço de pesca, as quantidades capturadas, virem a diminuir de ano para ano.
É face a esta circunstância que a Comissão Europeia decide baixar a quota do goraz para 678 toneladas, uma quantidade acima das capturas anuais dos três anos anteriores. E, mesmo nesta altura, a frota pesqueira açoriana do goraz, já a reclamar com as quebras na quota, – não conseguia aproximar-se da quota.

 

Período de defeso em Janeiro e Fevereiro

Foi face à incapacidade da frota de chegar às quotas estabelecidas pela União Europeia que levou a que o Conselho de Ministros das Pescas estabelecesse uma redução da quota para as actuais 507 toneladas de goraz. E uma redução progressiva até às cerca de 300 toneladas de capturas de goraz nos dois anos seguintes.
Tudo isso acontece porque as estatísticas de capturas foram dando a noção crescente de que o stock de goraz nos bancos de pesca dos mares dos Açores está em quebra. E é por isso que constitui uma vitória de Portugal e da Região que o Conselho de Ministros das Pescas tenha recuado na sua posição inicial e tenha mantido a quota nas 507 toneladas de goraz nos próximos dois anos.
Só que agora, a Região vai ter de, nos próximos anos, fazer o defeso do goraz nos meses de Janeiro e Fevereiro (período de desova da espécie), com o objectivo de recuperar o stock. Mais; nestes períodos de defeso vão ser definidas verbas, provenientes da União Europeia, para pagar aos pescadores tradicionais do goraz por inactividade da pesca.
Ninguém melhor do que o actual Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, o investigador Gui Menezes, sabe que algo tem de ser feito para que o stock de goraz não entre ainda mais em declínio nos bancos de pesca da Região.
Mas, como salientam alguns especialistas contactados pelo ‘Correio dos Açores’, o que hoje se passa com o goraz, certamente se vai passar, no futuro, com outras espécies que estão com os stocks em queda.

 

Falta pescar 34,4 toneladas de goraz e peixão

Ontem, segundo as estatísticas da ‘Lotaçor’, já se tinha sido capturado 234,7 toneladas de goraz nos Açores que foi vendido em lota a um preço médio de 14,46 euros, o equivalente a 3.524,5 mil euros.
Foram igualmente capturadas 228,9 toneladas de peixão, vendido a um preço médio em lota na ordem dos 8,35 euros, o que representa um valor que ronda 1.912,1 mil euros.
No total já foram pescadas nos Açores 472,6 toneladas de goraz e peixão no valor de 5.436,6 mil euros. Falta pescar 34,4 toneladas de goraz e peixão para se atingir a quota de 507 toneladas.

Foto: José Sousa

Fonte: Correio dos Açores

Deixe um Comentário