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O mar nosso e a China
1- Apesar da agenda política estar condicionada pelo período pré-eleitoral, continua a falar-se da política do Mar com os olhos postos nos recursos marinhos dos Açores. O desencontro que veio a público entre o que disse a Ministra do Mar nos Estados Unidos da América sobre o início da prospecção no Mar Açoreano e a opinião expressa pelo Governo da Região, dizendo que nada estava decidido sobre a matéria, significa o compasso de espera que é necessário para passar as eleições e decidir, depois, como se fará a gestão partilhada dos recursos do Mar.
2- Mas atenção, Lisboa, de acordo com as palavras da Ministra do Mar, continua a ver a política portuária e a política do Mar, como “ um negócio global” e “veículo de afirmação económica a nível internacional, enquanto pólos agregadores de actividades económicas que trazem valor para todo o cluster logístico e do mar”, disse Ana Paula Victorino, num ciclo de palestras em que participou. Ora, essa visão global não pode prejudicar e sobrepor-se aos interesses dos Açores. Nas negociações, a decorrer com a República, temos de mostrar competência e firmeza, cientes embora dos riscos que um projecto de tal envergadura representa para o equilíbrio do ecossistema marinho. Não podemos ceder, porque depois o que nos deixam são sobras, como tem acontecido agora com os Americanos na Base das Lajes.
3- Enquanto as atenções americanas se deslocam para a Ásia, os chineses estão atentos ao Atlântico e ao que ele representa para a sua estratégia no Ocidente. A visita do Primeiro-ministro chinês à Terceira, no dia 27 de Setembro, não é uma escala técnica. Tem motivações políticas, e acerca disso, é sintomático o aviso que fez o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, na passada Quinta-feira, em Nova York, dizendo que as relações económicas com os Estados Unidos podem melhorar, e alertou que a China e outros países estão a investir em Portugal, incluindo o interesse pelos Açores, e concluindo que, “na política e na economia não há vazios”. É importante seguir de perto as pretensões e motivações chinesas pelos Açores.
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Fonte: Escrito por Américo Natalino Viveiros / Correio dos Açores







