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Programa internacional quer marcar 120 mil atuns no Atlântico, inclusive nos Açores

Programa internacional quer marcar 120 mil atuns no Atlântico, inclusive nos Açores

Um total de 120 mil atuns, dos quais 6.000 em águas dos Açores, serão marcados nos próximos anos, no âmbito de um programa internacional para conservação e melhor conhecimento desta espécie migratória no Atlântico, anunciou hoje a organização.

“Vamos estar concentrados no Patudo e no Bonito, as duas espécies que sustentam a pescaria nos Açores”, afirmou à agência Lusa o coordenador do Programa de Observação para as Pescas dos Açores (POPA), Miguel Machete, acrescentando que o objetivo geral do projeto visa “obter informação para melhorar os conhecimentos sobre as migrações, o crescimento, a mortalidade e a abundância desta espécie”.

O denominado “Programa de Marcação do Atum Tropical do Oceano Atlântico”, levado a cabo pelo Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico (ICCAT) e financiado pela União Europeia, terá a duração total de quatro anos, embora a marcação do pescado propriamente dita deva durar entre dois e três anos.

Nos Açores o projeto é gerido pelo Instituto do Mar, da Universidade dos Açores, sediado na Horta, ilha do Faial, contando com um grupo de técnicos/observadores do POPA.

Miguel Machete explicou que “para já” o programa contempla dois tipos de marcações no atum – uma “standard, em que as marcas parecem esparguetes amarelos”, e outra em que será “injetado no atum uma espécie de antibiótico que se deposita nas estruturas ósseas, permitindo mais tarde, quando este for recapturado, perceber, por exemplo, quanto cresceu”.

O responsável adiantou ainda que mais tarde serão também utilizadas as marcas eletrónicas, que permitirão ter um nível de informação ainda mais abrangente, como a profundidade a que o atum andava, por onde se deslocou, entre outras.

Segundo Miguel Machete, as saídas para o mar serão feitas num atuneiro fretado e a marcação do atum, que será mantido a bordo “com muito cuidado, numa espécie de berço”, será feita conjuntamente pela tripulação de pescadores profissionais, pelos investigadores e pelos técnicos/observadores do POPA.

Mais tarde, quem recapturar um atum marcado deverá ligar ou enviar um sms para o 918012568, comunicando o código inscrito na marcação, o comprimento do peixe, entre outros dados. Por este gesto será recompensado com 10 euros por animal, um chapéu e uma t-shirt do programa.

“Se tivermos mais informação sobre as áreas de distribuição do atum, crescimentos, entre outros, naturalmente que depois o ICCAT, entidade gestora deste recurso no Atlântico, poderá fazer um melhor trabalho”, considerou Miguel Machete, acrescentando que “toda a gente ligada ao setor tem a ganhar com uma melhor gestão dos recursos”.

Nas próximas semanas o coordenador do POPA estará em várias ilhas para divulgar e promover o programa junto da comunidade, com destaque para lota, portos e fábricas conserveiras.

Fonte: Lusa

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